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    A arte da ressurreição -

    Hernán Rivera Letelier

    Alfaguara
    2012
    216 páginas
    7h 12m
    ISBN-13: 9788579621222
    Português Brasileiro
    3.5
    25 avaliações
    Leram37Lendo1Querem63Relendo0Abandonos1Resenhas2
    Favoritos0Desejados63Avaliaram25

    Deserto do Atacama, Chile. Primeiras décadas do séc. XX. O andarilho Domingo Zárate Vega começa a descobrir formas apocalípticas nas nuvens e a acertar na previsão de pequenos desastres. Depois da morte de sua mãe, decide viver como um ermitão no árido vale de Elqui, onde acaba se dando conta de que ele nada mais é do que a reencarnação de Jesus Cristo. Ao saber da existência de uma prostituta que venera a Virgem do Carmo e, além disso, se chama Magalena, ele sai em sua procura com o propósito de fazê-la sua discípula e amante, para juntos divulgarem o fim do mundo. Vencedor, na Espanha, do Prêmio Alfaguara de melhor romance, A arte da ressurreição coloca Rivera Letelier entre os grandes autores latino-americanos da atualidade. Para o júri do Prêmio Alfaguara, o reconhecimento ao escritor chileno veio do "fôlego e vigor narrativo do romance, assim como a criação de uma geografia pessoal por meio do humor, do surrealismo e da tragédia,(...) que muitas vezes evoca os grandes nomes da literatura mundial como García Márquez". O próprio autor se define como "um contador de histórias, muito diferente de um intelectual". E é nessa condição que ele narra a história de um personagem verídico, o pregador Domingo Zárate Vega, mais conhecido como o Cristo de Elqui. Letelier resgata suas andanças pelo deserto do Atacama, o mais árido do mundo, destacando com fino humor sua estranha jornada e as pessoas que ele encontra pelo caminho: de senhorinhas devotas, que querem "aprender a arrepender-se" de seus pecados, à prostituta Magalena Mercado, que atende aos clientes diante da imagem da Virgem, mas sempre tem o cuidado de cobri-la. A partir de um exaustivo trabalho de pesquisa, no qual entrevistou pessoas que conheceram o personagem, que pregou por 22 anos no deserto, Rivera Letelier entrelaça diferentes histórias, juntando-as às lendas que ouviu nos canteiros de salitre quando era menino, para criar uma obra única.

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    Juliano Azevedo11/03/2012Resenhou um livro
    3 (Bom)

    A Arte da Ressureição

    Desde a ressurreição de Jesus Cristo, os cristãos esperam a volta do mestre filho de Deus. Em 2012 anos de histórias, vários pregadores apareceram dizendo que o título de salvador dos homens era deles. Apesar de serem considerados falsos, diante da fé de quem crê, a mensagem destes “falsos profetas” era a mesma das passagens bíblicas, onde o próprio Jesus alertou, no trecho em Mateus 24:4-5: Acautelai-vos, que ninguém vos engane; Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos. Verdade ou fanatismo, o aparecimento destes pregadores da fé é instigante. Será a reencarnação do Verbo? Ou o delírio de homens em busca da iluminação dada pelos fiéis? No Chile, em 1922, surgia um messias dos pobres, órfãos, mulheres, trabalhadores explorados: o Cristo de Elqui, como foi chamado Domingo Zárate Vega, após perder a mãe e sair pregando a palavra de Deus pelos desertos. O personagem verídico passou 22 anos andando no deserto do Atacama, chegando à Bolívia e ao Peru, com suas ideias de libertação, de cura por meio do uso de ervas medicinais e de preceitos para se viver bem em harmonia com o Pai e com os homens. Esta história é narrada em forma de romance pelo autor Hernán Rivera Letelier, que nasceu em Talca – Chile, em 1950, no livro A Arte da Ressurreição, editado no Brasil pela Objetiva. Com um texto diferente, quase semelhante à escrita de José Saramago, o escritor opta por contar os fatos misturando a primeira e a terceira pessoas e ainda sendo até personagem do relato. A obra é marcada pela curiosa trajetória do ermitão considerado louco que buscava encontrar uma discípula fiel assim como Jesus considerava Maria Madalena. No livro, o Cristo de Elqui sai pelo árido deserto, visitando os salitres – como se fossem as carvoarias brasileiras, mas lá é encontrado um produto natural considerado excelente fertilizante -, em busca da mulher perfeita para seu projeto messiânico. Magalena Mercado – batizada assim por causa de Santa Madalena, mas por vingança do escrivão contra o pai dela acabou sendo chamada por um nome com letras trocadas -, é uma prostituta beata, que serve aos desejos sexuais de trabalhadores de um salitre, porém é fiel a Virgem do Carmo e aos preceitos religiosos. O Cristo de Elqui não é um santo. Magalena também não. No entanto, cada um possui uma missão divina. Ele, levar a palavra de Deus esquecida. Ela, oferecer aos pobres, minutos de prazer diante das mazelas da exploração do trabalho quase escravo. Com pequenas doses de erotismo e histórias de tipos chilenos, o livro é o relato de uma época que ilustra a pobre situação econômica de um dos países mais ricos atualmente da América do Sul. Ainda é mistério se Domingo Zárate Vega é a reencarnação de Cristo, contudo sua vinda na Terra provocou reações extremas: seu enaltecimento pelas multidões até o seu esquecimento. Sinopse Primeiras décadas do séc. XX. O andarilho Domingo Zárate Vega começa a descobrir formas apocalípticas nas nuvens e a acertar na previsão de pequenos desastres. Depois da morte de sua mãe, decide viver como um ermitão no árido vale de Elqui, onde acaba se dando conta de que ele nada mais é do que a reencarnação de Jesus Cristo. Ao saber da existência de uma prostituta que venera a Virgem do Carmo e, além disso, se chama Magalena, ele sai em sua procura com o propósito de fazê-la sua discípula e amante, para juntos divulgarem o fim do mundo. Vencedor, na Espanha, do Prêmio Alfaguara de melhor romance, A Arte da Ressurreição coloca Rivera Letelier entre os grandes autores latino-americanos da atualidade. A partir de um exaustivo trabalho de pesquisa, no qual entrevistou pessoas que conheceram o personagem, que pregou por 22 anos no deserto, Rivera Letelier entrelaça diferentes histórias, juntando-as às lendas que ouviu nos canteiros de salitre quando era menino, para criar uma obra única.

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    Hernán Rivera Letelier

    Hernán Rivera Letelier nasceu em Talca, Chile, em 1950. Passou a infância no povoado de Algorta, conhecido pela presença de minas de salitre. Estreou na literatura no final dos anos 1980, como autor de contos e poesia. Seu primeiro romance, La reina Isabel cantaba rancheras, foi publicado em 1994 e lhe valeu o Prêmio Consejo Nacional del Libro y la Lectura, uma das mais importantes láureas literárias de seu país. Em 2001, o escritor foi nomeado Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras pelo ministério da Cultura francês. Em 2010, Letelier ganhou o Prêmio Alfaguara de romances por El arte de la resurrección. A contadora de filmes (Cosac Naify, 2012) é o décimo terceiro livro do autor.

    16 Livros
    10 Seguidores

    Hernán Rivera Letelier