Em 'Marxismo e filosofia', Korsch procura aplicar a dialética ao marxismo, numa época em que a teoria marxista ainda se colocava como um espaço aberto de indagações sobre a história, a filosofia, a cultura e a política (e, pois, sobre a própria essência teórica e prática do marxismo). A condenação do texto, tachado de revisionista e neo-hegeliano pela Terceira Internacional em 1924, levou Korsch a escrever uma anticrítica, também presente nesta edição, que traz ainda outros quatro artigos do autor.
Marxismo e Filosofia -
Karl Korsch
Lista de Livros: Marxismo e Filosofia, de Karl Korsch
Parte I: Assim como os objetivos essenciais do movimento operário não podem realizar-se no marco da sociedade burguesa e do seu Estado, também a filosofia própria a esta sociedade não pode compreender a natureza das concepções gerais nas quais, de um modo consciente e autônomo, se expressa o movimento revolucionário proletário. O ponto de vista burguês, portanto, deve deter-se necessariamente exceto no caso de se dispor a deixar de ser burguês, ou seja, se dispuser-se a suprimir a si mesmo na mesma altura em que é obrigado a deter-se na práxis social. * Atribuir à teoria uma existência independente do movimento real é uma concepção não materialista nem sequer dialética, mesmo no sentido hegeliano: é uma concepção simplesmente metafísica idealista. * Mais do blog Lista de Livros em: https://listadelivros-doney.blogspot.com/2021/09/marxismo-e-filosofia-parte-i-de-karl.html XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Parte II: Marx conclui a pesquisa para esclarecer o seu método dialético, na décima primeira tese das Teses sobre Feuerbach, da seguinte maneira: Os filósofos apenas interpretaram o mundo de diferentes maneiras; porém, o que importa é transformá-lo. Esta frase, contrariamente ao que imaginaram os epígonos, não equivale a declarar que toda filosofia é uma simples quimera; ela apenas exprime uma recusa categórica de toda teoria, filosófica ou científica, que não seja simultaneamente práxis, e práxis real, terrena, deste mundo, práxis humanamente sensível recusa categórica da atividade especulativa da Ideia filosófica que, no fim das contas, apreende apenas a si mesma. Crítica teórica e revolução prática, concebidas como duas ações indissociáveis, não num sentido qualquer da palavra ação, mas como a transformação concreta e real do mundo concreto e real da sociedade burguesa: estas duas expressões exprimem do modo mais preciso possível o princípio do novo método materialista dialético do socialismo científico de Marx e de Engels. * Mais do blog Lista de Livros em: https://listadelivros-doney.blogspot.com/2021/09/marxismo-e-filosofia-parte-ii-de-karl.html XXXXXXXXXXXXXX Parte III: Eis por que declaramos expressamente que a continuação da luta proletária revolucionária que, em Marxismo e filosofia, designamos como ditadura ideológica distingue-se por três aspectos do sistema de opressão intelectual que, em nome do que se chama ditadura do proletariado, se exerce hoje na Rússia. Em primeiro lugar, ela é uma ditadura do proletariado, não uma ditadura sobre o proletariado. Em segundo lugar, é uma ditadura da classe, não do Partido ou dos dirigentes do Partido. Enfim, e acima de tudo, é uma ditadura revolucionária, um simples elemento no processo de transformação social radical que, com a supressão das classes e dos seus antagonismos, cria as condições para a extinção do Estado e, simultaneamente, para a supressão de toda coerção ideológica. Assim compreendida, a ditadura ideológica tem por tarefa essencial suprimir as suas próprias causas materiais e ideológicas, tornando-se ela mesma inútil e impossível. E o que distinguirá, desde o primeiro dia, esta ditadura proletária autêntica de todas as suas contrafações é que ela não criará somente as condições de uma tal liberdade espiritual para todos os trabalhadores, mas também para cada um deles tomados como tais liberdade que jamais existiu, em qualquer parte, para os escravos assalariados do capital, oprimidos física e intelectualmente na sociedade de classes burguesa, a despeito de toda democracia ou liberdade de pensamento que se possa invocar. Esta concretização do conceito marxiano de ditadura proletária revolucionária faz desaparecer a contradição que, sem esta determinação mais precisa, pareceria subsistir entre a exigência de uma ditadura ideológica e o princípio essencialmente crítico e revolucionário do método materialista dialético e da concepção comunista do mundo. Tanto nos seus fins quanto nos seus meios, o socialismo é um combate pela realização da liberdade. * Mais do blog Lista de Livros em:
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