Lido entre 05 e 14 de abril de 2023. Avaliação da leitura: 4,7/5,0
Trata-de de releitura. Primeiro porque aprecio muito tudo o que Millôr Fernandes (1923-2012) publicou, depois porque não me lembrava de absolutamente nada deste volume lido há umas três décadas passadas, a não ser que era engraçado. E que, como sempre, continha ilustrações de sua própria autoria, outra de suas marcas registradas.
Começamos por sua definição do homem, motivo de sua caça(leia-se estudo do ser humano de todas as maneiras possíveis), depois de passar por Platão, para quem o homem seria Um bípede implume., por Dostoievski Um bípede ingrato. e finalmente por ele, Millôr: Um bípede inviável.
Muito inviável, independentemente da época em que viveu, da classe social a que pertence (ou pertencia), do estado civil, profissão, religião, partido político, sexo etc. Há textos sobre todas essas situações, sobre homens e mulheres, brasileiros ou não, vivendo especialmente nos anos 1970 e inícios dos anos 1980 (livro foi publicado primeiramente pela editora Nórdica em 1981).
Não tenho de recomendar a ninguém que leia Millôr Fernandes, ou então outro humorista muito engraçado, seu contemporâneo, Leon Eliachar. Só posso dizer que quem desconhece os livros dos dois, perde a oportunidade de passar algumas horas bastante divertidas na companhia de gente inteligente.
Porque de energúmenos o Brasil está cheio, começando pelo atual presidente da república e seus apoiadores, assim como o outro que deixou a presidência em janeiro, mas ainda tem quem o ouça, acredite nele e o siga. Pobre país: que falta fazem Millôr e Eliachar que sabiam como poucos mostrar que o rei está sempre nu e sua coroa não é de ouro nem de prata, mas de lata barata, a merecer o nosso riso, melhor, nosso desprezo, seja ele quem for.