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    O Chalé da Memória -

    Tony Judt

    Objetiva
    2012
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 9788539003181
    Português Brasileiro
    3.9
    54 avaliações
    Leram76Lendo7Querem160Relendo0Abandonos2Resenhas6
    Favoritos6Desejados160Avaliaram54

    Um dos historiadores mais reconhecidos do século XX, Tony Judt faleceu em 2010, vítima de uma doença degenerativa. Enquanto sua condição de saúde se deteriorava, o inglês escreveu, em noites de insônia, as memórias de sua vida. O resultado é o livro de ensaios O Chalé da Memória, em que Judt evoca experiências e recordações do passado, sem abrir mão da vocação para a polêmica que o consagrou. Produzidos originalmente sem o intuito de publicação, os textos refletem uma escrita sem censura, que chama a atenção pela franqueza do autor. Por meio de uma espécie de revisão autobiográfica, o historiador retorna a momentos marcantes da história da Europa do século XX aos quais presenciou. Passando pela dura realidade da Londres do pós-guerra, pelas reminiscências dos seus tempos de estudante, pela experiência do Maio de 68 e pelos dias de devoção e desilusão com a utopia dos kibutzim, o notório intelectual deixa um legado singular sobre momentos marcantes da história recente, recorrendo às correntes sociopolíticas (marxismo, fascismo, sionismo) que moldaram as transformações de seu tempo. A paixão do historiador, enquanto criança, por uma rota de ônibus em particular de Londres, evolui para uma reflexão sobre a civilidade pública e o planejamento urbano no período entre-guerras. Judt, constantemente polêmico, cita também recordações das revoltas estudantis de Paris em 1968, que circundaram as divergentes políticas sexuais europeias, concluindo posteriormente que esta geração foi "uma geração revolucionária, que, por outro lado, não alcançou uma verdadeira revolução." Sem abandonar seu caráter analítico e o amplo repertório sobre a história europeia do séc. XX, o autor recorre a ensaios que passam por memórias pessoais, reflexões e análises sociopolíticas como uma forma de distração diante da deterioração de sua condição de saúde. Em suas palavras. diante do sofrimento o melhor a se fazer é manter a cabeça ocupada, "cheia de peças recicláveis versáteis, feitas de recordações úteis e imediatamente disponíveis para uma mente com tendência analítica." As experiências pessoais do inglês são relatadas com afeição. No entanto, as reflexões políticas que acompanham suas memórias trazem análises contundentes sobre a sociedade e a vida de seus contemporâneos. Todas são organizadas de forma simples, como um chalé na Suíça - um refúgio reconfortante de sua infância, situado nas montanhas da memória de Judt.

    Resenhas (6)Ver mais
    DIRCE PIRES DO NASCIMENTO NANNI picture
    DIRCE PIRES DO NASCIMENTO NANNI29/01/2014Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Gerundiando" o verbo Amar

    A Paulinha, reiterada vezes, me proporcionou a oportunidade de uma leitura inesquecível e neste Natal não foi diferente – ela me presenteou com o livro " O Chalé da Memória". Ele veio acompanhado de um bilhete afetuoso contendo o aval para uma possível troca. Imagina... Imagina se eu seria capaz de me desfazer de algo que representa delicadeza. Imediatamente colei o bilhete no livro e após, só após, atentei para a capa, título do livro e no nome do autor. Tony Judt é o escritor (a priori julguei tratar-se de um escritora) do livro “ O Chalé da Memória” cuja capa traz a ilustração de um trem sugerindo trilhar em um vale dos Alpes. Não que eu tenha algo contra as escritoras, muito pelo contrário, contudo, apesar de ficar muito feliz pelo fato da Paulinha mais uma vez se fazer presente, o trio: nome do escritor, título do livro e capa me fez sentir uma espécie de temor: ai meus Deus! será uma daqueles romances, como diria o Helder, de mulherzinha? Iniciei a leitura um pouco reticente, porém mal iniciada a leitura, já no Capítulo I, Tony Judt mostra por que e para que “escreveu” – as aspas na palavra escreveu se fizeram necessárias porque, na verdade, Tony Judt por ser, aos 60 anos de idade, acometido por uma doença degenerativa: uma variante da esclerose lateral amiotrófica (E.L.A), teve que contar com o auxílio de um amigo já que, reproduzindo as suas palavras,” lá se foi o bloco amarelo, com o lápis,agora inútil”. Encontrava-se, ele, totalmente paralisado, porém sua memória permanecia imutável, restando-lhe dela se utilizar para sua “sobrevivência”. Como sempre digo e redigo: não faço resenha, portanto é muito raro eu citar dados bibliográficos do autor, porém sinto-me impelida a falar sobre Tony Judt: de ascendência judaica, nasceu em Londres, no dia 02 de janeiro de 1948 e faleceu no dia 06 de agosto de 2010 em Nova Iorque (fiquei atônita em constatar que o texto O chalé da Memória - Capítulo I do livro – foi datado em maio de 2010. O aluno displicente na escola (ele afirma categoricamente que odiava escola), o jovem que exerceu inúmeras funções braçal se tornou professor, historiador e escritor, e foi por meio da “escrita” desse excepcional escritor e Ser humano (sua visão de mundo demonstra o quão solidário era) que percorri os 24 compartimentos (o livro é composto por 24 capítulos) desvendados da sua memória e entendi que ao retratar sua vida, seus pensamentos, suas preferências, o seu cotidiano, os seus ideais românticos, Tony Judt fez o retrato histórico de uma época. Além de escritor, professor e historiador Tony Judt deve ter tido uma boa veia humorística, pois apesar do seu calvário, sua narrativa muitas vezes crítica e irônica) era carregada de humor. Mas o livro não é feito somente de crítica, humor e ironia, ele carrega frases e capítulos contundentes . Sempre que gosto muito da leitura de um livro digo que AMEI,entretanto, vou cometer uma heresia: vou “gerundiar” o verbo AMAR, visto que que para todo o sempre VOU ESTAR AMANDO esse livro .

    21 curtidas

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    Avaliações

    3.9 / 54
    • 5 estrelas33%
    • 4 estrelas31%
    • 3 estrelas24%
    • 2 estrelas9%
    • 1 estrelas2%
    Tony Robert Judt profile picture

    Tony Robert Judt

    Foi um historiador, escritor e professor universitário britânico. Estudou em King's College, Cambridge e École Normale Supérieure, em Paris, e lecionou em Cambridge, Oxford, Berkeley e New York University. Foi professor e diretor do Remarque Institute, dedicado ao estudo da Europa, fundado por ele em 1995. Autor ou editor de 12 livros, contribuiu com frequência para a New York Review of Books, o Times Literary Supplement, a New Republic e o New York Times. Além de ter sido escolhido pelo New York Times como um dos dez melhores livros de 2005, seu livro "Pós-Guerra" também foi finalista do prêmio Pulitzer e ganhou o prêmio de livros Arthur Ross, do Council on Foreign Relations. Em 2007, recebeu o prêmio Hannah Arendt. Em 2008, Judt foi diagnosticado com esclerose amiotrófica lateral (ELA), também conhecida como doença de Lou Gehrig. Faleceu em agosto de 2010, aos 62 anos.

    10 Livros
    29 Seguidores

    Tony Robert Judt