O livro discute a relação entre diferenças e desigualdades sociais na formação da sociedade brasileira, e aborda o período que vai da formação do Escravismo Colonial até a Abolição da Escravatura, seguindo depois pela análise de alguns desdobramentos contemporâneos (período da República) relativos às desigualdades e lutas contra as desigualdades no período pós-escravocrata. A obra procura desenvolver discutir vários aspectos relacionados a este processo, como a distinção entre a Escravidão Antiga e a Escravidão Moderna, já racializada e inserida no tráfico atlântico, assim como também a descaracterização de identidades ancestrais africanas em favor de uma Identidade Negra, seja para a montagem do sistema escravocrata, seja no que concerne às posteriores lutas sociais contra este mesmo sistema. O livro parte de uma distinção conceitual importante entre “Desigualdade” e “Diferença”, que já haviam sido objeto de reflexão do autor em outras obras, e procura examinar como estas noções podem se interpenetrar para produzir sistemas de dominação, inclusive o sistema escravocrata no Brasil Colônia e os desdobramentos racistas na contemporaneidade. É discutido, ainda, um dos mais importantes paradoxos contemporâneos: o fato de que a ciência já não admite nos dias de hoje a existência de "raças", o que não impede que o "racismo" tenha uma existência social concreta. Discussões como a das políticas afirmativas também são tangenciadas.

