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    A geração da terra - Contos israelenses

    Rifka Berezin (org.)

    Summus
    1983
    244 páginas
    8h 8m
    ISBN-7: 8924308
    Português Brasileiro
    5
    1 avaliação
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    "A Geração da Terra", organizado por Rifka Berezin, traz um conjunto de contos de autores israelitas consagrados, entre eles: Aharon Megued, Ben Tzion Tomer, Binyamin Tamuz, Hanoh Bartov.

    Resenhas (1)Ver mais
    Henrique Luiz Fendrich picture
    Henrique Luiz Fendrich11/10/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Esse livro é uma veemente prova da força e do vigor da literatura judaica. À experiência que já tive com os contos ídiche se soma agora a dos contos hebraicos, e tudo concorre para a conclusão de que não há na literatura judaica nada a se dever a qualquer outra. Como os contos ídiches, também os hebraicos são uma forma de aprendizado sobre essa cultura (que não é a minha, pois não sou judeu). É interessante que não existe proselitismo religioso – no máximo, há um conto cuja “moral” parece reforçar a mensagem do judaísmo para um judeu recalcitrante, mas é também este o conto que apresenta as maiores dúvidas a respeito de Deus e do seu interesse pela humanidade. Os contos judeus são muito mais existencialistas do que se imaginaria para os seguidores de alguma religião. Eles vão realmente fundo nas questões, e o que se lê em certos trechos de S. Izehar é, sem exagero, digno de um Dostoievski. Vivendo em uma área tão conflituosa, há também aqui contos que tratam de conflitos bélicos, mas nunca como uma defesa do judaísmo em face das outras culturas. São esmiuçados aspectos bem mais humanos dos confrontos, com destaque para “O retorno”, de Schamai Golan, que fala sobre a dificuldade de adaptação à própria família de um homem mutilado, e “A mão do destino”, de Natan Schaham, comovente drama de um homem para garantir que a sua parceira sobreviva e não perca a mão após uma mina explodir. A questão da singularidade do judeu em Israel, em comparação com aqueles da diáspora, é exposto de uma forma muito linda em “O nome”, de Aharon Megued, no qual se percebe o conflito geracional entre realidades diversas do judaísmo. “Efraim volta para a alfafa”, de S. Izehar, é uma impressionante obra que revela, de um lado, aspectos do funcionamento de uma “kibutz”, pequenas comunidades autônomas israelenses, mas de outro a luta do invidíduo em face da sociedade e do coletivo, e tudo permeado por reflexões e por análises a um só tempo belas e profundas. Também existencial é “À margem do Mar Morto”, de Schlomo Nitzan, em que se fala de forma bastante dolorida da inevitabilidade do fracasso. Esses momentos são os que mais me chamaram a atenção no livro. Tenho a impressão de que descobri na literatura judaica um tesouro, escondido do grande público, mas que a mim muito me agradará escavocá-lo mais.

    1 curtida

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