Acompanhamos a história de Júlio, que já no início do romance está preso e passa a relatar, por meio de um diário, os acontecimentos de sua infância até o momento em que comete um crime.
Júlio tem uma relação difícil com a mãe, mas é profundamente apegado à irmã, Isadora — é nela que ele encontra amor e acolhimento. Tudo desmorona quando Isadora se casa, e ele passa a se sentir rejeitado e deslocado.
Mais tarde, ao ingressar na faculdade de Direito, Júlio vai morar em uma pensão, onde conhece novas pessoas e se apaixona por uma das moças que vive lá: Eurídice.
Esse amor, no entanto, é complicado, inatingível, e ele se sente completamente enfeitiçado por ela.
A narrativa me surpreendeu bastante, especialmente ao acompanhar o desenvolvimento emocional de Júlio — um jovem que, desde a infância, sofre com a falta de afeto, parceria e pertencimento. Em cada fase da vida, ele parece desesperadamente precisar de alguém para se apoiar.
Quando conhece Eurídice, Júlio se depara com tudo aquilo que sempre o assombrou: o difícil, o inatingível, a tentação.
Narrado em primeira pessoa, o livro é composto pelas anotações de seu diário, escritas enquanto ele está preso. Desde o início, somos levados pela curiosidade: o que exatamente o levou até ali? E o desfecho não decepciona.