O livro conta a trajetória de um pai, Carlos Páez Vilaró, conhecido pintor uruguaio e proprietário da Casapueblo na busca de seu filho Carlos "Carlitos" Páez Rodríguez, integrante do time de rugby do colégio Stella Maris de Montevidéu, os "Old Christians". Em 13 de outubro de 1972, no Voo 571 da Força Aérea Uruguaia, o avião que os conduzia, colidiu contra uma montanha na cordilheira dos Andes, entre o Chile e a província de Mendoza, na Argentina. Vilaró fez parte do grupo que realizou as buscas pelos 45 passageiros - dos quais 16 acabaram sobrevivendo, entre eles seu filho, com quem se reencontrou pouco tempo depois do resgate, em 23 de dezembro - e escreveu esse livro, narrando passa a passo, como num diário, a sua participação no sofrido, esperançoso e bem sucedido resgate.
Entre Meu Filho e Eu, a Lua -
Carlos Páez Vilaró
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A história por trás desse livro é bem conhecida na América do Sul e inclusive já retratada no cinema pelo filme Vivos (1993). No dia 13 de Outubro de 1972, um avião com 45 passageiros, entre eles o time de rugby Old Christians, de Montevidéu, partiu em direção ao Chile, mas não chegou ao seu destino. Durante a travessia da Cordilheira dos Andes, foi surpreendido por uma tempestade, perdeu o contato e caiu em um local ermo. Aqui é onde a coisa fica pesada e certamente você já ouviu falar algo nesse sentido. Os sobreviventes ficaram desaparecidos por 72 dias, chegando ao ponto de necessitar se alimentar de partes dos corpos de amigos e conhecidos que não resistiram ao acidente e às adversidades naturais que estavam submetidos. A diferença é que aqui, não foi retratado a realidade vivida pelos acidentados, mas sim o diário do pai de um deles, Carlos Páez Vilaró. Prolífico pintor uruguaio que expôs suas obras por todo o mundo e proprietário de um dos principais pontos turístico do seu pais natal: a Casapueblo, seu ateliê, que fica situado nos penhascos rochosos de Punta Ballena. O livro é bem profundo e carregado de sentimento do início ao fim. A história de um pai desolado pelo mistério do paradeiro de um de seus filhos, mas que nunca perdeu as esperanças e que foi peça fundamental na busca por ele. Após 10 dias do acidente e com a região sendo castigada com as piores nevascas dos últimos anos, a equipe de resgate interrompeu as buscas, cabendo a Carlos Páez Vilaró movimentar todo um país para que continuassem ajudando-o no resgate de seu filho. Expedições a pé, a cavalo, por aviões e helicópteros particulares. Pulava de cidade em cidade conforme as dicas iam aparecendo. Rompeu as barreiras do cristianismo e foi em busca de outras religiões e inclusive da magia no auxílio das buscas. Rabdomantes, parapsicólogos, médiuns e videntes. Todas as opções possíveis para conseguir luz para guiá-lo em suas buscas foram usadas. 71 dias frustrantes que culminaram em um desfecho feliz para esse pai. Na véspera do Natal, encontraram 2 rapazes que vagavam pelas montanhas havia 10 dias e que diziam serem sobreviventes do acidente. Após isso, foi questão de tempo até que conseguissem resgatar, com vida, mais 14 pessoas em meio à fuselagem do avião, dentre eles o seu filho Carlitos. Uma história que está prestes a completar 50 anos e que me deixou arrepiado e emocionado. Carlos Páez Vilaró, artista nato que é, brinca com as palavras e conecta coincidências, encontros e desencontros de forma magnífica, como se de fato tudo tivesse um sentido para acontecer da forma como foi. O momento em que ele é notificado sobre os 2 rapazes encontrados me deixou sem palavras e encheu meus olhos de lágrimas. Que momento! Foi lançado pela Casapueblo Ediciones e tem tradução para o português. Vem carregado de ilustrações em todas as aberturas de capítulos e contém, no final, algumas fotografias sobre temas trazidos durante a história. Um livro perfeito que eu super indico. Ele retrata um pouco da nossa história latino-americana, mostrando a força e a união de um povo e a garra de todo um continente. Chilenos, argentinos, brasileiros e, principalmente, uruguaios. Todos ajudando, seja na busca ativa pelos desaparecidos ou no envio de orações e boas energias aos envolvidos. Em tempos nos quais se fala muito em construir muros, ler um livro desses só atesta que o que precisamos mesmo é de pontes. De troca e união entre povos. Sejamos pontes!! Sejamos América do Sul!!
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