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    O Mundo de Ponta-Cabeça - Idéias radicais durante a Revolução Inglesa de 1640

    Christopher Hill

    Companhia das Letras
    1987
    480 páginas
    16h 0m
    ISBN-10: 8585095261
    Português Brasileiro
    4.1
    36 avaliações
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    Dentro da revolução inglesa do século XVII, que resultou no triunfo da ética protestante - a ideologia da classe proprietária - houve a ameaça de uma outra revolução, completamente diferente. Seu sucesso poderia ter estabelecido a propriedade comunal e uma democracia mais ampla, poderia ter derrubado a Igreja estatal e rejeitado a ética protestante. Os grupos radicais que apresentaram essas propostas - diggers, ranters, levellers, quacres e outros - eram formados por homens e mulheres pobres, sem sofisticação ou educação, e, talvez por isso, raramente suas opiniões foram consideradas a sério. Porém muitas de suas exigências, tradicionalmente descartadas como fantasias impraticáveis, aproximam-se do radicalismo do nosso próprio tempo. 'O mundo de ponta-cabeça' é um retrato não da revolução burguesa que ocorreu na Inglaterra do século XVII, mas dos impulsos para uma radical reviravolta da sociedade, violentamente desejada e temida.

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    Joseilton de Lima Correia08/11/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A Revolução Inglesa pela voz dos excluídos!

    Christopher Hill busca através de sua ótica neomarxista mostrar os “excluídos” da historiografia oficial sobre a Revolução Inglesa. O texto apresenta uma análise da História vista de baixo com pinceladas de História Cultural. É uma pioneira forma de analisar um evento que sempre foi visto pela ótica liberal ou pela ótica marxista. Na primeira parte do texto O Pergaminho e o Fogo Hill analisa as tensões sociais ocorridas em Londres que após os cercamentos virou refúgio de suas vítimas, descritos como vagabundos e criminosos. No item de nome Heresia de Classe Inferior, Hill começa afirmando que existia uma tradição plebéia de aversão ao clero e irreligião, onde destacam-se os “Lolardos” que contestavam a venda de missas; os “Anabatistas” que pregavam o batismo espontâneo e em idade adulta. Hill diz que teve como fonte na pesquisa sobre os anabatistas, documentos de tribunais eclesiásticos. Um terceiro grupo, ao familistas, do qual Hill declara ter mais documentação a seu respeito, eram seguidores de Henry Niclaes que dizia que Deus faz o homem e do homem faz Deus. Duvidavam os familistas, da divisão entre céu e inferno. Acreditavam os membros da Família do Amor que a humanidade voltaria, na terra, ao seu estado de inocência anterior a Queda. A Igreja oficial era impopular e templos eram profanados, imagens incendiadas e cruzes quebradas. Bispos e Ministros da Igreja recebiam acusações e insultos, e havia uma total insatisfação com a ingerência dos tribunais eclesiásticos sobre a vida dos comuns. Pessoas eram levadas a julgamento acusadas de não guardar feriados, casarem sem licença e faltarem contra a castidade. Analisando a Revolução Inglesa como um fenômeno mais abrangente, que a simples definição de que o movimento foi o triunfo da ética protestante e a ascensão da burguesia, ou simplesmente a Revolução Gloriosa, Hill traz à luz os excluídos pela historiografia “oficial”. O povo com suas idéias em comum, suas organizações e seus segmentos, influiu decisivamente na revolução que segundo Hill já vinha sendo gestada antes da data oficial de 1640. Usando um conceito de classe social mais amplo, e a meu ver mais justo do que ao definição de Classe dominante e Classe dominada ou Patrão e Proletariado, Hill vê nos “descamisados” seu real valor e sua participação efetiva na contestação do poder vigente. Agora as classes subalternas não aparecem simplesmente como coadjuvantes de luxo e simples bonecos mudos na História. Com um livro belo, justo e com um fervor incrível para mostrar ao mundo historiográfico, que o povo também tem voz, Christopher Hill escreveu uma obra fantástica, para aqueles que gostam de se aprofundar e principalmente críticar a história escrita pelas elites!

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    John Edward Christopher Hill

    John Edward Christopher Hill (Iorque, 6 de fevereiro de 1912 — 23 de fevereiro de 2003) foi um historiador marxista britânico. Sua produção está ligada à de um grupo de historiadores marxistas ingleses dos quais se destacam Eric Hobsbawn e Edward Palmer Thompson. A maior parte de sua pesquisa concentra-se na compreensão da Revolução Inglesa, ocorrida no século XVII.

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    John Edward Christopher Hill