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    A capital!: (Coleção Clássicos Globo) - ( começos duma carreira)

    Eça de Queiroz

    Editora Globo
    2006
    426 páginas
    14h 12m
    ISBN-10: 8525041572
    Português Brasileiro
    3.7
    45 avaliações
    Leram91Lendo4Querem62Relendo0Abandonos3Resenhas5
    Favoritos5Desejados62Avaliaram45

    Artur deixa a modesta terra natal e vai para Lisboa, alimentando doces ilusões, certo de que lá haveria melhor lugar para um intelectual. Depois das decepções voltou ao lugar tranqüilo, mas, em face da vida monótona, sentia saudade da capital, embora tivesse saído "daquele inferno em Lisboa, como um vencido de uma batalha" - com feridas por toda a parte - no seu amor traído, na sua ambição iludida.

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    Andreia Santana27/10/2021Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Um romance menos badalado, mas precioso

    <b><i>A capital</b></i> é considerado o romance mais autobiográfico de Eça de Queiróz, com um protagonista que assume papel de alter ego do escritor. É uma obra menos badalada do autor português. Começou a ser escrita em 1877, mas só foi publicada em 1925, mais de 20 anos depois de sua morte, com a supervisão de um dos seus filhos. O livro conta a história de Artur Corvelo, um jovem poeta aspirante ao estrelato e que vive com as tias idosas em uma província no interior de Portugal, mas anseia morar em Lisboa, na capital, onde acredita que seu ‘gênio’ irá conquistar os salões aristocráticos e lhe garantir fama, fortuna e uma boa posição social. Só que o jovem poeta é um protagonista molenga e boboca, cheio de um romantismo piegas e com aspirações de alcançar uma grandeza que ele tem bastante preguiça de conquistar. Como um patinho feio, o rapaz deseja encontrar seu lugar no mundo mas, por ser muito ingênuo e totalmente destituído de malícia, sofre incontáveis decepções no decorrer da história. A natureza acomodada de Artur impede que ele se defenda dos aproveitadores que cruzam seu caminho. A sua ‘jornada do herói’ é totalmente às avessas. A indolência do protagonista faz com que o leitor acompanhe o deambular de Artur pela vida com uma certa angústia. Ele anseia por ascender às classes mais abastadas e conquistar reconhecimento intelectual, mas Eça de Queiroz faz desse desejo uma quimera. A partir da passividade de Artur diante das circunstâncias, o autor critica a sociedade burguesa lisboeta e a aristocracia semi-falida, entediada e hedonista que frequentava cafés e teatros na cidade, tentando imitar os trejeitos da belle époque parisiense. Lisboa seria um rascunho, um carbono meio desbotado do desenho original, a efervescente Paris dos anos 1800. Artur não tem traquejo social, é um jovem provinciano e até meio caricato. O universo dos ricos comensais, das anfitriãs de sobrenome antigo, mas pouca prata, e da ‘rapaziada’ boêmia que anima os bordéis meio decadentes de Lisboa lhe causa fascínio e estranheza ao mesmo tempo. Aceito nas rodas da high society mais por interesse dos nobres falidos em explorar sua gorda herança do que por seus dotes literários, ele vai sendo conduzido ao longo da história pela lábia e pelos caprichos de seus novos amigos da capital. Um romance firmemente ancorado na crônica de costumes, <b><i>A Capital</b></i> apresenta outros personagens bastante pitorescos que gravitam em torno de Artur Corvelo. No interior, há as tias religiosas que enchem o padre guloso do vilarejo de comidinha farta e caseira; o ex-boêmio que gastou tudo o que tinha e, nomeado para um cargo público por influência de amigos, passa mais horas no boteco da província inventando lorotas sobre seus tempos áureos do que na repartição; a família de comercial de margarina do farmacêutico; o velho militar aposentado e meio lunático; o homem mais rico da vila com sua filha, a beldade casadoira e inacessível; e a prima solteirona que arrasta uma asa platônica para Artur. No cenário da cidade grande, há a baronesa misteriosa por quem o poeta se apaixona e é casada com um homem anos mais velho; o jornalista com ares de cafetão que arrasta o moço incauto do interior para a vida boêmia; o janota que vive de aplicar pequenos golpes, mas têm uma vasta rede de conhecidos entre a nobreza da cidade; as prostitutas de luxo que são mantidas por seu amantes em hotéis caros e, claro, os funcionários alcoviteiros desses hotéis. A prosa queirosiana - e para mim foi uma grata surpresa redescobrir esse autor - é pontuada por muita ironia e sarcasmo. O próprio Artur, apesar de deslumbrado, tem uma certa autocrítica e é dotado de um senso de humor auto-depreciativo que diverte e, ao mesmo tempo, irrita e provoca o leitor. <b>O exemplar que eu li:</b> Eça de Queiroz entrou na minha vida ainda na adolescência, a partir de <i>O primo Basílio</i>, um de seus romances mais famosos, que eu abandonei depois de 50 páginas porque achei muito maçante. Jamais consegui retomar essa leitura. É o único livro que já abandonei em uma vida de quase quatro décadas de leituras (comecei aos 10, tenho 47 atualmente). Tinha uma birra enorme com o autor de <i>Os maias</i>, <i>A cidade e as serras</i>, e de <i>A ilustre casa de Ramires</i> (que já estão todos na minha lista de leituras futuras). Fiz as pazes com Eça a partir de <b>A Capital</b>, que foi uma indicação meio por acaso que recebi do Skeelo, um serviço de streaming de livros que assino. Li a versão em e-book da edição de 2006, da Editora Globo. <b>Ficha Técnica:</b> <i>A Capital</i> Autor: Eça de Queiroz Editora: Globo 426 páginas R$ 35,00* <i>*Pesquisado na Estante Virtual em 25/10/2021</i>

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    3.7 / 45
    • 5 estrelas33%
    • 4 estrelas20%
    • 3 estrelas29%
    • 2 estrelas16%
    • 1 estrelas2%
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    José Maria de Eça de Queiroz

    José Maria de Eça de Queiroz nasceu em Póvoa do Varzim, norte de Portugal, de pais que não eram casados – só o fariam quatro anos depois. Essa situação, escandalosa para a época, talvez tenha contribuído para a visão profundamente crítica à moral da classe média portuguesa que o escritor imprimiu à sua obra. Eça ingressou aos 16 anos na Universidade de Coimbra, de onde saiu formado em Direito. Nesse período reuniu-se a outros jovens literatos, como Antero de Quental, que formaram o grupo conhecido como a Geração 70. Mudou-se para Lisboa, seguindo uma carreira de jornalista que continuaria em Évora e em sua volta para a capital. Em folhetins e na poesia, havia até então sido um adepto do Romantismo. Contudo, na volta a Lisboa, tomou parte no grupo de intelectuais conhecido como <i>O Cenáculo</i>. Sob a influência do escritor Gustave Flaubert e do teórico anarquista Pierre-Joseph Proudhon, aderiu ao Realismo. Em 1870, publicou, em parceria com Ramalho Ortigão, o romance <i>O mistério da estrada de Sintra</i>. No mesmo ano ingressou na carreira diplomática e, dois anos depois, assumiu o posto de cônsul em Havana – seguida por cidades europeias. Em 1895, sob a influência do Naturalismo, publicou o romance <i>O crime do padre Amaro</i>, que provocou protestos da Igreja e de setores da sociedade. Três anos depois, <i>O primo Basílio</i> teve recepção semelhante, apesar do sucesso de vendas. Em 1888 saiu <i>Os Maias</i>, romance considerado sua obra-prima. Parte da extensa obra do escritor, como o romance <i>A cidade e as serras</i>, veio à luz postumamente. Eça, que deixou quatro filhos, morreu em Paris, de tuberculose.

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    José Maria de Eça de Queiroz