Daqui brotou a Teoria do Discurso
O trabalho pioneiro do argentino Ernesto Laclau e da belga Chantal Mouffe é um verdadeiro tour de force. Ele se dá em torno e através do signo "hegemonia", a partir de um recorte da história do marxismo ocidental. Nos primeiros dois capítulos, os desdobramentos do uso da categoria "hegemonia" na análise marxista é brilhante, comparando diferentes comentaristas da obra marxiana, culminando em Gramsci. Nessa primeira parte, surpeende o elogio da obra de Georges Sorel, tão repudiado em círculos ortodoxos. Naturalmente, o italiano Antonio Gramsci é o protagonista da história do marxismo de Laclau e Mouffe, e a forma como eles descrevem a "virada superestrutural" no pensamento marxista é essencial para o entendimento do marxismo ocidental. Mas a parte verdadeiramente revolucionária desse livro é a segunda metade, em que as limitações da obra marxiana ficam completamente evidentes à luz da alternativa apresenta pelos autores ao determinismo econômico: a categoria "discurso". Estabelecendo um diálogo entre Gramsci e outros escritores brilhantes do século XX, como Saussure, Wittgenstein e Derrida, a atenção à linguagem típica da filosofia pós-"virada linguística" é aplicada ao pensamento marxismo, sem despi-lo de sua atenção também às condições materiais da sociedade. A forma como os autores definem discurso como "a totalidade estruturada que resulta da prática de articulação" é, talvez, a contribuição mais importante para a teoria política na segunda metade do século XX, e o ponto de partida mais promissor para o século XXI. O capítulo 4 conclui o livro com maestria, propondo um projeto de "democracia radical e plural", influenciado pelas teorias da democracia de Carole Pateman e C. B. Macpherson, segue relevante até hoje, especialmente a partir de sua expansão no resto da obra dos dois autores, particularmente de Chantal Mouffe. Uma leitura essencial para qualquer estudante sério de teoria política e análise do discurso.





