Lendas do Caminho de Santiago - a Rota Através de Ritos e Mitos

    Juan G. Atienza

    Madras
    2002
    220 páginas
    7h 20m
    ISBN-10: 857374474X
    Português Brasileiro

    O caminho de Santiago foi e é um fenômeno cultural, religioso e sociológico, possivelmente sem comparação no mundo, ao mesmo tempo em que é também uma experiência individual de enorme profundidade para os peregrinos que, animados por um desejo de transformação interior e de encontro com o transcendente, percorreram durante séculos a extraordinária rota jacobéia, um caminho repleto de códigos simbólicos de profundo significado. Dentre esses códigos, as lendas que marcaram o caminho são precisamente as que com maior vigor perduraram no tempo e que melhor consagraram a essência de uma mensagem oculta, de assombrosos milagres ou fantásticos relatos mágicos, frequentemente com o disfarce de simples histórias. Em "Lendas do Caminho de Santiago", o autor nos mostra o Caminho sob uma perspectiva que provocará no leitor tanto o espanto como a curiosidade. Um livro que, através de quase suas cem lendas, o guiará passo a passo por um caminho que, desde os cumes dos Pirineus até os "Finis Terrae" (confins da terra), significou o sustento espiritual e cultural do Ocidente e desvela ao leitor muito das profundas razões deste significado.

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    Fabio Ricardo Albieri Michelete21/08/2014Resenhou um livro
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    Sobre o Caminho de Santiago de Compostela

    Recentemente, tenho me dedicado a caminhadas longas. Um amigo me introduziu ao grupo, que dedica algumas manhãs a caminhadas, que vão de 15kms a (por enquanto) 41kms. Quando o corpo atinge seu ritmo ótimo de funcionamento, a mente se equilibra. Com o devido treino, você deixa de lado o que estava fazendo antes e o que fará depois da caminhada, sintoniza com o entorno, mimetiza com ele, você não é mais indivíduo: é natureza, fluindo pela estrada, passo a passo; é sangue, fluindo pelas artérias a cada pulso; é silêncio que a tudo permeia, interrompido pelo ruído de suas pegadas. A caminhada como transformação. Caminhar por horas tem claras vantagens além da prática esportiva. O peregrino logo identifica a óbvia associação da caminhada de longa distância como uma forma de uma meditação em movimento. Seu expoente cultural máximo é simbolizado pela divulgação e prática dos caminhos de peregrinação – dentre eles o mais famoso – o Caminho de Santiago de Compostela. “Lendas do Caminho de Santiago” é uma descrição de mitos cristãos, coletados por um estudioso da “Rota Jacobeia” (Iacobus é a origem Latina do nome de Santiago). Uma sequência de histórias associadas a monumentos, igrejas, pontes e pontos de interesse no caminho. Seguindo a apresentação objetiva do mito, há uma interpretação do autor, tentando extrair algum ensinamento ou atribuir relevância ao mesmo. O autor tenta sugerir uma unicidade simbólica entre os mitos. Como se o caminho e suas histórias tivessem uma coerência, possivelmente de inspiração divina, que explicavam sua importância e longevidade. Essa ideia interessante, provavelmente, é o que explica seus anos de estudo e dedicação ao tema. O resultado, no entanto, ficou burocrático. Não cheguei a experimentar a unicidade proposta, e algumas das histórias pareceram pueris, cansativas. É importante contextualizar que minha espiritualidade não se traduz muito facilmente nesses referenciais, mas mesmo assim me esforcei, procurando por alguma identificação com minhas experiências de caminhada. Mesmo assim, não consegui ter forte interesse pelo conteúdo do livro. Talvez escrito por um erudito em área tão especifica, tenha reduzido seus raros leitores àqueles com referenciais semelhantes. A menos que esteja interessado em saber detalhes religiosos do caminho, não recomendo a leitura, pois perde-se aquele frescor de uma experiência vivida. “A lenda de Santa Orosia”, “o cajado de São Francisco”, “O gigante Ferragut”, “O castigo de Santa Columba”, alguma dessas histórias tem raízes fortes para você? Se a resposta for negativa como era para mim...talvez deva tentar outra coisa. Com um tema simbolicamente tão rico, não é de admirar que tenha sido objeto de ampla literatura e produção cultural. Há guias, descrições de pessoas que fizeram o caminho, dicas, etc. São experiências muito pessoais, mas gostosas de acompanhar. Esbarrei por algumas já: desde uma leitura antiga de “O Diário de um Mago”, que sinceramente foi prazeroso, mas deixou poucas marcas (há anos da leitura) – até o contato mais recente, por acaso, do filme “The Way” (2010). Uma metáfora para a vida. O caminho de Santiago, imagino, faz-nos viver o presente enquanto caminhamos por longos 800km, dia após dia. Em seu percurso, você com sua persona: dedicará tempo a ela e suas necessidades? Seus medos? Ou empreenderá a jornada ao desconhecido? Dá pra fazer tudo isso. Dá pra hospedar-se em bons hotéis e fazer turismo, dá pra seguir apenas mais um clichê cultural, dá pra carregar na mala contingências para quaisquer desconfortos. Ao final, você colhe o que plantou. Os méritos são concedidos com justiça. Como ao final de uma sessão de cinema, de um período de embriaguez, ou da leitura de um livro, há a difícil reconexão com a vida. O caminho verdadeiro, me disseram é esse que inicia quando se termina a peregrinação. Uma alma dedicada ao essencial jogará fora aquilo que você carrega de supérfluo. Sua vida não será a mesma.

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