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    Cartas sobre os cegos - enderaçada àqueles que enxergam

    Diderot

    Escala
    2006
    167 páginas
    5h 34m
    ISBN-10: 8575568299
    Português Brasileiro
    4
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    2º Livro: Carta sobre os surdos e mudos Endereçada àqueles que ouvem e falam

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    Maciel Muss Sein picture
    Maciel Muss Sein24/10/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Publicada em 1749, Carta sobre os cegos para uso dos que veem é uma das obras mais provocadoras do filósofo iluminista Denis Diderot. Sob o pretexto de discutir a percepção dos cegos, o autor constrói um ensaio filosófico e científico que questiona não apenas a natureza do conhecimento humano, mas também a própria existência de Deus — algo ousado e polêmico para a época, a ponto de levá-lo à prisão por “ateísmo”. A obra se apresenta como uma reflexão epistolar, escrita em forma de carta, e parte de observações sobre pessoas cegas de nascença. Diderot investiga como elas compreendem o mundo sem o sentido da visão, propondo que o conhecimento não vem das ideias inatas, mas sim da experiência sensorial e da razão. Essa perspectiva o coloca em diálogo direto com o empirismo de Locke e com as teses científicas do Iluminismo, que valorizavam a observação e a experimentação. No texto, o filósofo argumenta que os cegos desenvolvem formas diferentes — e igualmente válidas — de conhecer a realidade, baseadas no tato e na lógica. Isso o leva a uma conclusão ousada: se a visão molda nossa percepção do universo, então o conhecimento humano é relativo aos sentidos. Não existe uma verdade única, mas interpretações diversas do mundo. Assim, Diderot rompe com o dogmatismo religioso e com a crença em verdades absolutas. Além da reflexão epistemológica, a “Carta” também carrega um forte conteúdo ético e social. Diderot humaniza os cegos, mostrando que a deficiência não é uma limitação moral ou espiritual, mas apenas uma diferença física. Em um tempo em que pessoas com deficiência eram vistas como “imperfeitas” ou “castigadas por Deus”, o autor defende uma visão racional e inclusiva, destacando o valor da diversidade humana. Estilisticamente, o texto alterna trechos científicos, filosóficos e até narrativos, o que torna a leitura fluida e envolvente. A ironia e o tom provocador típicos de Diderot aparecem de forma sutil, especialmente quando ele critica a autoridade da Igreja e a cegueira intelectual dos que se dizem “iluminados”. Em síntese, Carta sobre os cegos é muito mais do que um tratado sobre deficiência: é uma defesa da razão, da liberdade de pensamento e da ciência. Diderot transforma o tema da cegueira em uma poderosa metáfora sobre o conhecimento e a ignorância, convidando o leitor a enxergar além das aparências e a questionar tudo o que é imposto como verdade.

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    Denis Diderot

    Denis Diderot (Langres, 5 de Outubro[1] de 1713 — Paris, 31 de Julho de 1784) foi um filósofo e escritor francês. A primeira peça relevante da sua carreira literária é Lettres sur les aveugles a l’usage de ceux qui voient (Cartas sobre os cegos para uso por aqueles que veem), em que sintetiza a evolução do seu pensamento desde o deísmo até ao cepticismo e o materialismo ateu, tal obra culmina em sua prisão. Escreveu ainda Dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers (Dicionário razoado das ciências, artes e ofícios). Mas a sua obra prima é a edição da Encyclopédie (1750-1772) onde reportou toda o conhecimento que a humanidade havia produzido até sua época. Demorou 21 anos para ser editada, e é composta por 28 volumes. Mesmo que na época o número de pessoas que sabia ler era pouco, ela foi vendida com sucesso. Denis conseguiu uma fortuna. Deu continuidade com empenho e entusiasmo apesar de alguma oposição da Igreja Católica e dos poderes estabelecidos. Escreveu também algumas outras peças teatrais de pouco êxito. Destacou-se particularmente nos romances, nos quais segue as normas dos humoristas ingleses, em especial de Sterne: A Religiosa, O Sobrinho de Rameau, Jacques, o fatalista e seu mestre. Escreveu vários artigos de crítica de arte. Foi um dos primeiros autores que fazem da literatura um ofício, mas sem esquecer jamais que era um filósofo. Preocupava-se sempre com a natureza do homem, a sua condição, os seus problemas morais e o sentido do destino. Admirador entusiasta da vida em todas as suas manifestações, Diderot não reduziu a moral e a estética à fisiologia, mas situou-as num contexto humano total, tanto emocional como racional. Seu pensamento sobre a nobreza e o clero se exprime na seguinte frase: "O homem só será livre quando o último déspota for estrangulado com as entranhas do último padre". Com essa frase, ele quis dizer que todos os governantes e os dogmáticos deveriam ser completamente derrubados, para a humanidade ser livre. Diderot é considerado por muitos um precursor da filosofia anarquista. Alguns estudiosos acreditam que, sob inspiração de sua obra, "A Religiosa", barbáries foram praticadas contra religiosos e freiras na Revolução Francesa de 1789 com o deturpado intuito de "protegê-los" contra os crimes praticados pela Santa Sé, há ainda um suposto dossiê encontrado por Georges May em 1954, que mostra a obra A religiosa como pura ficção e não um retrato da realidade.

    55 Livros
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    Haute-Marne, França

    Denis Diderot