"Não vive verdadeiramente quem não gosta de dar uma prosa com um amigo ou ler um livro com vagar."
Ainda que eu não seja nenhuma entusiasta de livros raros ou primeiras edições, tal qual o autor, ainda que a minha forma de bibliofilia esteja mais próxima daquilo que Richard de Bury descreveu em seu "Philobiblon", este livro me cativou devido a forma divertida de sua escrita e às diversas curiosidades narradas.
Esse tipo de bibliofilia voltada para a coleção de raridades, anda de mãos dadas com o amor pela história do livro. Foi desta forma que eu entendi o valor que os livros raros têm - mesmo quando seu conteúdo não é relevante, eles ainda são documentos que testemunham sobre a história da tipografia e da edição de livros.
Ou seja, colecionar livros raros é o mesmo que colecionar documentos que atestam sobre a história do livro no Brasil e no mundo.
Este livro em si é muito voltado para a Brasiliana (livros sobre o Brasil) muito procurados por colecionadores do mundo inteiro, e no fim aponta para a Brasiliense (termo cunhado pelo autor para discriminar os livros da Brasiliana que não são procurados no exterior, mas apenas dentro do Brasil) que seriam os livros escritos por brasileiros ou editados no Brasil.
Indico a leitura pra todos os amantes da história do livro, pois a narrativa perpassa assuntos como: coleção de livros, impressão, encadernação, restauração, preservação, primeiras edições, bibliografias, censura, tipografia, colação, primeiros livros impressos, brasiliana, brasiliense... Todos os temas são bem desenvolvidos, de forma leve, divertida e muito instrutiva, dada a erudição do autor, que é um verdadeiro profissional bibliotecário e colecionador.