A literatura pop não é apenas a correspondente escrita da música pop, no sentido do consumo rápido e do tratamento direto. Ao longo de décadas, desde J.D. Salinger, passando por Douglas Copland e Nick Hornby e chegando até este Clube dos corações solitários, ela representa uma linhagem. A linhagem dos escritores que tentaram capturar um modo fugidio,um jeito como que "virgem" de estar no mundo. Aquela tênue passagem da irresponsabilidade suposta da adolescência para a vida adulta - seja lá em que idade isso aconteça...E, principalmente, a definição de até que ponto essa entrada significa uma rendição ao mundo,ou, ao contrário, uma tentativa de amoldar o mundo a essa sensibilidade aflorada. A melancolia, a "infelicidade cultivada" da música pop, um aborto, um adiamento da questão profissional através de um "MacEmprego", montar uma banda, mergulhar em café, simplesmente querer sumir de desespero e amargura. Com este Clube não é diferente. O descompasso aparente entre a irrelevância dos acontecimentos e a intensidade dilacerada dos sentimentos é a própria essência dessa percepção.Um mundo pouco prático - segundo os "adultos" e os cínicos. Uma brecha para um mundo mais leve - enquanto nossos "garotos" e "garotas" não desistirem de adaptar o mundo, em vez de se adaptar a ele.


