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    O Médico e o Monstro - Dr. Jekyll e Mr. Hyde

    Robert Louis Stevenson

    Hedra
    2011
    112 páginas
    3h 44m
    ISBN-13: 9788577152728
    Português Brasileiro
    3.8
    38573 avaliações
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    Seria possível sintetizar a parcela de maldade que nos compõe e nos livrar dela, nos tornando seres inteiramente bons? E caso fosse possível, seria desejável? O médico e o monstro narra a história de um homem respeitado, cujas relações com um personagem sórdido, de aparência grotesca, faz com que seus amigos desconfiem de que ele está sendo vítima de chantagem. Empenhados em ajudá-lo a libertar-se desse suposto explorador, começam a investigar os vínculos entre os dois homens. Essa seria a dimensão mais superficial deste clássico do horror psicológico. Mas há algo que torna a história mais assustadora, e é sua dimensão alegórica. Por ela, entende-se que todas as pessoas são compostas de partes boas e partes ruins, e que essas partes lutam entre si para dominar a personalidade. A psicanálise reafirmaria as ideias propostas no livro, mostrando a presença irrefutável, em cada um de nós, de um Mr. Hyde mau, deformado, inescrupuloso e vingativo, e de um Dr. Jekyll bom, agradável, virtuoso e humano.

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    Alane Sthefany picture
    Alane Sthefany11/01/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O Médico e o Monstro - Robert Louis Stevenson

    Primeiramente quero destacar algumas correntes filosóficas sobre a natureza do homem. "O homem nasce como se fosse uma folha em branco e a experiência, a tinta que preenche as “páginas” da vida." - Locke (John Locke, Essay Concerning Human Understanding. 1690). "O homem é mau por natureza, a menos que precise ser bom." - Nicolau Maquiavel (Nicolau Maquiavel, O Príncipe. 1513). "O homem é bom por natureza. É a sociedade que o corrompe" - Rousseau Carl Rogers, na mesma direção, é o sucessor de Rousseau (que observa) que todo homem vem da mão de seu Criador como um ser perfeito. Este esplendor primordial é corrompido, disse Rousseau, por uma sociedade imperfeita. (Jean-Jacques Rousseau, Discurso Sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade Entre os Homens. 1755). "O homem é um macaco cego, robusto e irracional, que carrega um macaco aleijado que enxerga." - Arthur Schopenhauer (Arthur Schopenhauer, O Mundo Como Vontade e Representação. 1819). E a última que pretendo destacar, na qual eu também compartilho do mesmo pensamento é de que o homem é mau por natureza: "A natureza humana é má. O homem é mau" - Hobbes. [...] No estado natural, embora alguns homens possam ser mais fortes ou mais inteligentes do que outros, nenhum se ergue tão acima dos demais de forma a estar isento do medo de que outro homem lhe possa fazer mal. “O homem é lobo do homem, em guerra de todos contra todos”. O homem nasce mau, com instintos de sobrevivência, e que devido a tais instintos é capaz de fazer qualquer coisa. Segundo Thomas Hobbes, os homens podem todas as coisas e, para tanto, utilizam-se de todos os meios para atingi-las. Conforme esse autor, os homens são maus por natureza (o homem é o lobo do próprio homem), pois possuem um poder de violência ilimitado. E a sociedade tem o papel de educá-lo, de humanizá-lo, de torná-lo sociável. Pois “A natureza humana para Hobbes é má. O homem é mau”. Tanto o pensamento do Locke, de que o homem é como uma folha em branco, e o de Rousseau, de que o homem é bom por natureza, mas é a sociedade que o corrompe, fica a indagação de como é formada uma sociedade, senão por um aglomerado/conjunto de indivíduos (seres humanos), e se todos os homens são bons, como essa sociedade se tornou algo ruim para ter o poder de corromper os demais. Levando em consideração o pensamento do Locke de que são as nossas experiências, a tinta que vão preenchendo às páginas da nossa vida, e partindo do pressuposto de que todos nós somos donos da nossa própria história e que temos o pincel em nossas mãos e que pintamos o que quisermos, como começamos a pintar coisas ruins, da qual não nos orgulhamos e que se pudéssemos, apagaríamos de nossas vidas, de tal forma que nós não quereríamos nenhum resquício ou vestígio de que um dia estivera ali. Esse livro me deixou bastante reflexiva, e no decorrer das páginas me recordei de uma pregação reformada em que o pastor disse sobre a depravação do homem e da sua natureza depois da queda: "Deixe-me dar um exemplo: Hitler. Você acha que ele era uma anomalia? Você acha que ele era um fenômeno? Uma pessoa rara, diferente da sociedade? Tem algo que você precisa aprender sobre Teologia: Tem uma graça comum que restringe todo o mundo, e se você não é como Hitler, é só por causa da graça de Deus que restringe você, e se Deus puxasse esse “freio” de você, você ia fazer com que Hitler parecesse um mocinho de coral. Você está entendendo o que eu estou dizendo? Ele não era uma anomalia, ele era um reflexo do que todos nós somos, a não ser que Deus restrinja a maldade do homem. Essas são verdades que ninguém quer ouvir, e são verdades que pregadores não querem pregar, mas são necessárias. Elas são as Escrituras!" "à parte da graça restringidora de Deus, isto permearia o mundo e nós seríamos destruídos!" Quotes 📚✍🏻❤️ O fantasma de um pecado antigo, o câncer de alguma vergonha oculta, o castigo que chega em passos mancos e lentos, anos depois, quando a memória esqueceu o erro e o amor próprio já perdoou a culpa.” Sua história era quase irrepreensível; poucas pessoas podiam revisitar os tomos da própria vida com tão pouca apreensão; mesmo assim, ele se flagelava pelas coisas ruins que fizera, para depois se alçar a uma gratidão sóbria e destemida por todas as coisas ruins que quase fizera, mas resistira.

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