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    A Cabana do Pai Tomás (Coleção Saraiva #173 e 174) -

    Harriet Beecher Stowe

    Edições Saraiva
    1962
    200 páginas
    6h 40m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.1
    783 avaliações
    Leram1475Lendo77Querem1536Relendo6Abandonos28Resenhas74
    Favoritos1Desejados1536Avaliaram783

    "A Cabana do pai Tomás" é uma história de fé, coragem, determinação, perseverança e luta. Harriet Beecher Stowe, que conhece de perto a realidade do cenário que narra, passa ao leitor um sentimento de revolta e indignação ao apresentar detalhadamente o comércio "legal" de seres humanos e a forma bruta e selvagem com que os senhores tratavam os negros a fim de obterem mais lucros em suas propriedades. Este registro literário contribui intensamente para a abolição da escravatura. Basta observara que, dois anos depois de seu lançamento, surgiu o Partido Republicano, que abraçou a causa abolicionista. A autora chegou até mesmo merecer do presidente norte-americano, Abraham Lincoln, esta consideração: Foi a senhora que, com seu livro, causou essa grande guerra (a guerra entre os estados).

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    Flávia15/12/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    PODE O HOMEM SER DIGNO DE CONFIANÇA, QUANDO MUNIDO DE PODER?

    “A Cabana do Pai Tomás” é um romance que nos fala sobre a escravatura nos Estados Unidos, escrito pela professora, escritora e abolicionista Harriet Beecher Elisabeth. Inicialmente a história foi publicada em 1851 em forma de série semanal, durante 40 semanas, no jornal abolicionista “The National Era”, mas o que era para ser uma narrativa curta prevista para durar poucas semanas, acabou se tornando um sucesso tão grande que quando a escritora falhou em uma das semanas de publicação, foram vários os protestos que os escritórios do jornal receberam, a ponto de chamar a atenção do editor John P. Jewett, que propôs à autora transformar a série em formato de livro. Publicado em 20 de março de 1852, “A Cabana do Pai Tomás” vendeu 3.000 cópias no primeiro dia, esgotando depressa sua primeira edição. O romance ainda foi traduzido para diversas línguas, e nos Estados Unidos chegou a ser considerado o livro mais vendido após a Bíblia. Com uma narrativa poética e repleta de emoções, Harriet nos insere em uma história atemporal, muito embora retrate uma época remota nos Estados Unidos, onde a escravidão era uma realidade perversa e brutal. E essa era uma sensação que me acompanhava quanro mais eu avançava, porque existem duas temáticas apresentadas pela autora que não morreram no dia em que a abolição dos escravos foi assinada. E estas são: 1) a luta pela liberdade; 2) a maldade que se comete contra os semelhantes. Liberdade... Mas o que é ser livre? Será mesmo que nascemos livres e vivemos uma vida de liberdade unicamente porque ninguém (pelo menos em tese) pode nos comprar? Aliás, será mesmo que a escravidão é apenas uma memória de um passado remoto, ou ainda hoje, por diversas razões e situações nos vemos aprisionados de alguma forma a uma vida de escravidão? A que (ou a quem) estamos sendo escravizados hoje? E se a primeira temática já nos faz questionar tantas coisas, pensar sobre a maldade humana é algo que faz parte do ontem, do hoje e (inevitavelmente) do amanhã. Afinal, como podemos ser tão maus com os nossos semelhantes? E aqui eu não estou falando unicamente sobre ter um coração convertido ao amor ao próximo e a todo tipo de bondade que podemos ver nas almas preciosas daqueles que um dia foram santificados. Eu estou me referindo ao condicionamento da maldade e crueldade a que todos nós estamos expostos hoje. Alguém te feriu e lhe fez algum mal? Paga a ele em dobro! Alguém te traiu? Nunca lhe conceda o perdão! Alguém te rejeitou? Destrua essa pessoa de todas as formas possíveis! E nisso as redes sociais vão nos enchendo de frases de ódio e vingança que só fazem crescer o mal no mundo, tornando nossos corações tão sombrios quanto a terra de Sauron! E pensando em tudo isso é que eu preciso te alertar: passar por essa leitura é vivenciar uma grande transformação! Especialmente com essa figura bondosa do Pai Tomás, com quem vamos aprendendo que sejamos negros ou brancos, escravos ou senhores, o quanto o amor ao próximo e o poder do perdão é muito mais libertador para uma alma em sua condição de imortalidade, do que a frivolidade das condições humanas tão efêmeras de rancores e vinganças. Harriet explora a temática da escravidão de forma tão sublime, que passamos a compreender todas as suas nuances, desde o fato de que por muito tempo essa foi a forma mais humana de preservar a vida e a dignidade de alguns desses homens, mulheres e crianças, assim como a imprudência ou a fatalidade da morte lançava esses mesmos oprimidos com tanta brutalidade à realidade de senhores com um coração tão repleto de malícias e maldades, que o desejo de nunca ter nascido passa a ser a única prece que evocam desses lábios. Um outro ponto que a autora abordou com muita maestria e que me trouxe muitas reflexões, foi a questão da tratativa à desobediência e rebeldia dos escravos. E aqui (obviamente!) eu não estou falando de senhores perversos, mas de senhores e senhoras educados para ser bons cristãos, mas que se viam às voltas com escravos que um dia foram tratados com atos de barbaridade, e que, quando comprados por senhores que os tratavam da forma mais humana possível, ainda assim, cometiam delitos ou respondiam aos seus senhores. Quando li essa parte da história, eu fiquei pensando em crianças que nasceram em lares desafortunados, e que, quando entregues aos orfanatos, mesmo após ser adotados por famílias de bom coração que as recebiam de braços abertos, ainda assim traziam dentro de si as marcas da desconfiança e descrença que a maldade que sofreram outrora enraizou em seus corações. Eu confesso que não esperava tudo o que ganharia com esse livro, especialmente porque ele me tocou profundamente na questão da minha espiritualidade, na minha relação com Deus, e nos valores e deveres cristãos. E ao final, eu pude sentir meu coração tão reabastecidos por todos esses ensinamentos, que foi como se o próprio Pai Tomás tivesse me ensinado através da sua figura de puro amor, bondade e entrega. “A Cabana do Pai Tomás” é muito mais do que uma história que fala de algozes e vítimas, de servidão e injustiças. mas sim de tudo o que se esconde no coração humano. Das maldades, invejas e vinganças, até os maiores atos de coragem para salvar outros tanto quanto se deseja salvar a si mesmo. Atos de heroísmo de pessoas tão altruístas que somente podem ser felizes se tiverem ao lado todos aqueles que amam. Pessoas tão cheias de uma bondade que vai além da nossa compreensão humana, capazes de perdoar até aquele que mais o feriu apenas porque daria a vida pela conversão de uma alma inclinada ao mal. E esse é o Pai Tomás, e seus ensinamentos de amor, de perdão, e de obediências às leis de Deus ficarão para sempre no meu coração!

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