Maquiavel - Os pensadores

    Nicolau Maquiavel

    Nova Cultural
    1999
    464 páginas
    15h 28m
    ISBN-10: 8513008575
    Português Brasileiro

    O livro “O Príncipe” foi escrito por Nicolau Maquiavel em 1513, mas só foi publicado em 1532. Como Nicolau morreu em 1527, a primeira edição do livro já é considerada uma publicação póstuma. A repercussão de O Príncipe de Maquiavel através dos séculos ocorreu devido ao papel fundamental que a obra representa na construção do conceito de Estado. O Príncipe é um tratado político que serviu como base para modelar a estrutura governamental dos tempos modernos. Esse tratado possui 26 capítulos, além de uma dedicatória a Lourenço de Médici, e foi escrito a partir de reflexões sobre o passado político, reunindo conselhos e sugestões com o objetivo de conquistar a confiança de Médici. Nessa época, a Itália estava dividida em pequenos Estados, repúblicas e reinos. Havia muita disputa de poder entre esses territórios. Maquiavel orienta os governantes a respeito dos perigos que existem em se dividir politicamente uma península e ficar exposto às grandes potências europeias.

    Edições (5)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover

    Similares (3)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (42)Ver mais
    mpettrus picture
    mpettrus17/12/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Propostas Maquiavelianas

    ​“O Príncipe”, considerada a obra mais importante de Maquiavel, foi publicado em 1513, aconselhando os governantes sobre como governar e manter o poder absoluto, mesmo que eles tivessem que fazer inimigos e usarem forças militares. Nessa obra ele tenta resgatar o sentimento cívico do povo italiano. Foi escrito em forma de carta, direcionada a Giuliano de Médici, que faleceu antes que Maquiavel a terminasse. Maquiavel viveu em uma época em que a Itália estava dividida em pequenos principados, enquanto países como a França e Inglaterra eram unificados. A Itália nesse momento estava militar e politicamente fraca. ​ O livro é uma obra que pertence ao gênero convencional do “espelho de príncipe”. Aqui encontramos a ideia de propor conselhos aos príncipes; uma carta dedicatória ao seu protetor; um exame de formas de governo; um modelo de príncipe ideal; a descrição das qualidades e virtudes morais e religiosas que ele deve possuir e etc. Maquiavel nos diz que seu opúsculo busca discutir o que é, de que espécies são e como se adquirem, mantem e perdem o principado. Que apresenta, portanto, um tratado político, especificamente, um sobre os principados. Ele diz, entretanto, que este livro deve ser de interesse de um príncipe e, em especial, do interesse de um príncipe novo. ​ Nos primeiros quatorze capítulos, Maquiavel classifica os principados em gêneros bem definidos, dividindo-os em hereditários e novos, explicitando como se dá a conquista em cada um: com exército próprio ou de outros, pelo fluxo de acontecimentos ou pelo conjunto de qualidades do governante. O autor procura não construir um Estado ideal, e sim ver os problemas reais, a realidade concreta das coisas. O livro é repleto de exemplos da Antiguidade e Idade Média, por exemplo, Moisés, Ciro, Rômulo, Teseu, Aníbal, porém, a maioria deles é contemporânea, como César Bórgia, Francesco Sforza e o Papa Júlio II. Tudo para comprovar seu ponto de vista. ​ ​ O primeiro capítulo do livro não nos informa somente tipos de principados, mas como são adquiridos; o segundo não nos introduz a questão somente sobre como se podem governar os principados, mas sobre como mantê-los. Parece haver uma questão concorrente, um ponto complementar salientado pelo autor – não somente o que são e como se governam, mas também como se conquistam e como se mantem é uma questão fundamental. ​No capítulo XV do livro, o autor deixa claro sua intenção em refletir sobre as ações políticas a partir de fatos concretos, como ele mesmo diz que sua verdadeira intenção é escrever algo útil para quem o ler. O Príncipe deve concentrar sua atenção na realidade política que o circunda, eliminando qualquer espécie de idealização em relação a ela, uma vez que esta pode levar a ruína, ao invés do sucesso. Nos capítulos posteriores, o autor discorre sobre diversos aspectos relacionados a um príncipe. Comenta sobre as qualidades que um governante precisa ter e outras a evitar, o cuidado devido às finanças, à cobrança de impostos e à utilização desses recursos. Trata, também, da dicotomia “se é melhor ser amado que temido ou melhor ser temido que amado”, afirmando que “os homens têm menos receio de ofender quem se faz amar, do que a quem se faz temer”. Para Maquiavel, é mais importante aparentar ser piedoso, fiel, humano, íntegro e religioso, a de fato possuir tais qualidades. Sua teoria é baseada no fato de que “… todos veem o que se aparenta, poucos sentem aquilo que realmente é; e esses poucos não se atrevem a contrariar a opinião dos muitos”. Um príncipe deve evitar o desprezo e o ódio dos homens, manter o povo feliz, afastar-se de bajuladores e controlar seus secretários. ​ Nas reflexões sobre as questões militares o autor evidencia a conexão que existe entre as armas e a política, salientando não somente o âmbito técnico de ataque e defesa, mas a dimensão política que elas comportam. Sua pretensão é de esclarecer como as armas podem proporcionar benefícios não apenas na realização de uma guerra, mas também para estruturar e organizar o principado de modo adequado e seguro. ​ Nos três últimos capítulos, Maquiavel aborda a invasão da França na Itália, os motivos que levaram a perda de alguns estados. Defende a tese de que um governo novo tem suas ações mais observadas que o antigo, e que os homens se interessam mais pelas coisas do presente do que pelas do passado. As propostas maquiavelianas são, de certo modo, tornar dependentes entre si duas instituições: o Príncipe e o Povo. O povo, ao verificar que a única possibilidade de manter sua segurança é garantindo a manutenção do príncipe no poder, se convence que deve apoiá-lo para combater o inimigo externo, procurando dedicar-se com empenho na defesa do principado. Contudo, o príncipe deve reconhecer que o povo não se submete ao seu poder somente pela segurança que lhes é garantida, mas também pelo fato de realizarem ações ao seu favor. Como afirma Maquiavel: “é da natureza dos homens deixar-se cativar tanto pelos benefícios feitos como pelos recebidos”. Dessa forma, para que as ações políticas sejam realmente consistentes, o príncipe deve ficar atento para a lógica das relações que estabelece com os súditos; se isso for dimensionado de maneira adequada, ele criará uma relação de reciprocidade tão estreita com eles que não imaginariam outra solução para garantir a sua própria existência a não ser apoiar o príncipe na boa ou na má sorte.

    103 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4 / 897
    • 5 estrelas32%
    • 4 estrelas37%
    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas1%