Rabiscos e bilhetes: tão importantes para London Lane como ar para viver. Todos os dias, às 04:33 da manhã, o cérebro da menina entra em reboot (se reinicia), e todas as lembranças do dia anterior são apagadas da sua mente. Alguém se lembrou do plot do filme Como se fosse a primeira vez? Apesar dessa vaga lembrança do filme -perdoem-me pelo trocadilho, rs na verdade, depois das 20 primeiras páginas do livro percebemos que não é o caso.
Diferente da protagonista do filme, London consegue viver através das anotações de seus bilhetes, que deixa próximo à sua cama para ler logo assim que acorda, e está totalmente ciente desse seu pequeno problema. Parece confuso? Eu explico. Nesses bilhetes a garota pode saber o que vestiu no dia anterior, fatos importantes que ocorreram e o que conversou com as pessoas. Mas como ela sabe disso se ela não se recorda? A garota consegue ver o que vai acontecer no futuro, ou seja, suas lembranças são de coisas que ainda não aconteceram, e dessa forma, ela consegue saber com quem interagiu, quem são seus amigos, e quais cidades ela vai visitar em uns 20 anos, por exemplo.
O livro é pequeno, a leitura flui de forma agradável. No começo, confesso que me senti meio perdida na narrativa, e não conseguia entender como London e sua mãe lidavam com o problema. Mas garanto que, assim que as 50 primeiras páginas passam, só paramos a leitura após finalizá-la. Além de acompanhar o dia a dia nada convencional de London, a garota começa a ter sonhos sombrios, relacionados a um funeral e acorda antes que sua mente fique zerada para anotar os detalhes desses sonhos. Ele acontece no futuro? Quem irá morrer?
Achei os personagens muito bem construídos e é particularmente lindo o relacionamento desenvolvido entre Luke e London. A garota se força a lembrar do garoto meio esquisito, mas com olhos mais lindos que ela já viu (todos os dias!) e, mesmo tendo fotos e bilhetes relacionados ao garoto espalhados por seu quarto, todos os dias ela se surpreende. A parte do romance é fofa, não tem outra palavra para definir.
Deslembrança, apesar de ser um YA, é diferente do que estamos acostumados a ler, e pra mim, o motivo é a particularidade acerca do problema da protagonista e como já dito, da vida nada convencional que ela tem ao lidar com seus relacionamentos, sua própria vida. Apenas gostaria de saber se o livro terá uma continuação, pois a narrativa deixa espaço para isso. O livro tem um final, a meu ver, mas para algumas pessoas, talvez ele não seja tão satisfatório. Pesquisei sobre a autora e sobre o livro, e não vi nenhuma notícia de alguma continuação. Se alguém souber de algo, se manifeste por favor, rs.