@mor é o primeiro romance de Daniel Glattauer publicado aqui no Brasil pela Suma de Letras. Nunca tinha ouvido falar do autor nem de seus romances, mas ao ver a notícia de que esse livro seria publicado o título logo chamou a minha atenção. No livro somos apresentados a Emmi Rothner e Leo Leike, que são donos de uma história, ao mesmo tempo, inusitada e comum. Conhecê-los foi uma leitura agradável, rápida e apaixonante.
Tudo o que Emmi queria era cancelar a assinatura de uma revista e para isso ela encaminhou um e-mail para a mesma dizendo que não queria mais assiná-la, mas ela, acidentalmente, endereça o e-mail para a pessoa errada e o destinatário para sua sorte é Leo Leike.
E é assim, nesse mero acaso que eles se conhecem e passam a se relacionar virtualmente. Com um e-mail que poderia ter sido perfeitamente ignorado por Leo... Ao respondê-lo, ele certamente não imaginava as mudanças que aconteceriam em sua vida.
A princípio os assuntos dos e-mails são genéricos, revelando pouco sobre cada um, mas com o passar dos dias o contato vai se tornando mais íntimo e eles se tornam verdadeiros confidentes. Com o tempo é inevitável que surja a vontade de se encontrarem pessoalmente, mas o medo, ora por parte de Leo, ora por parte de Emmi, acaba por procrastinar esse encontro.
<i>Eu estou um pouco bêbado, mas só um pouco. Bebi a noite inteira até dar meia-noite, até Emmi vir me visitar. Sim, é verdade. Essa não foi minha primeira garrafa. Estou com saudade da minha Emmi. Você quer vir aqui? A gente simplesmente apaga a luz. Não precisa se ver. Eu só quero sentir você, Emmi. Eu fecho os olhos. (...) Estou bebendo a nós. Já estou um pouco bêbado. Mas não muito. E agora é a sua vez de novo, escreva pra mim, Emmi. Escrever é como beijar, só que sem os lábios. Escrever é beijar com a cabeça.</i> Página 76
O livro é todo em formato de e-mails, mas sabe o que ótimo? Não temos essa linguagem de internet durante o livro, nada de abreviações toscas e coisas do gênero. Daniel Glattauer é dono de uma escrita simples e fluida capaz de nos manter vidrados na história.
O livro termina de uma maneira d-e-s-e-s-p-e-r-a-d-o-r-a! Ao ler a última linha eu te asseguro a vontade que temos é de espancar o autor pela coragem de terminar o livro daquela maneira, deixando o leitor completamente desolado por não ter o próximo livro em mãos. Calma, calma, calma... Não! Não é mais uma série ou trilogia, o próximo livro vai fechar a história pelo menos é o que estou sabendo! e a Suma de Letras pretende publicá-lo ainda esse ano. Preciso dizer o quão ansiosa estou?
@mor é um livro que vale a pena. A história é interessante e os personagens cativantes, torço pra que tenham um final feliz, mas não no estilo conto de fadas e sim no estilo vida real com seus momentos bons e ruins. Porque a Emmi sou eu, você, qualquer uma de nós. E o Leo, ah Leo! Podem me chamar de tola, mas eu acredito que ainda existem Leos por aí.
<i>Por favor, nunca diga vocês homens, quando quiser falar de MIM. Eu sou muito diferente pra me deixar misturar com o generalizante e na maior parte das vezes odioso plural vocês homens. Não tire conclusões sobre mim a partir de outros homens. Isso me deixa doente, e como!</i> Página 81
Sabe a vontade que fica no final? Mandar vários e-mails para endereços eletrônicos aleatórios e ficar na torcida pra que algum Leo Leike te responda.