Andrew Lene realmente não deixa a desejar em sua escrita. Os livros da saga “O jovem Sherlock Holmes” contam as aventuras de quando Sherlock tinha apenas 14 anos de idade. Só por aí a gente já sabe que muito de sua maturidade e expertise não estarão presentes, mas isso não atrapalhar em nada o desenvolvimento da história.
Como o livro é um romance policial, fica difícil contar muito da história sem dar spoilers, já que um único detalhe pode ser a chave para a resolução de um mistério. Sendo assim vou contar de forma bastante superficial a história deste livro. Sherlock está na Inglaterra vivendo na casa de seus tios, e sob a tutoria de Amyus Crowe, um americano que se mudou para Inglaterra junto com sua filha Virginia, e que lhe dá aula. Em um dia comum de aulas, Sherlock descobre que Mycroft (irmão mais velho de Sherlock) está na casa dos tios, e que quer ter uma conversa em particular com Amyus. Sherlock como o bom curioso e desobediente que ele é, acaba escutando a conversa e descobre que um bandido Americano John Wilks Booth, o homem que matou o presidente Lincoln, ainda está vivo e possivelmente escondido na Inglaterra. E é aí que se inicia a história e os mistérios deste livro.
Durante a história, Sherlock se mostrou um rapaz completamente imprudente e impulsivo, do tipo que coloca uma ideia da cabeça e vai atrás sem se perguntar os riscos e as consequências. Durante várias passagens a gente nota que ele tem mania de agir primeiro e pensar depois, indo contra outra característica dele que é a lógica e a racionalidade. O jovem Sherlock é com certeza um gênio e sabe colocar a mente para funcionar a todo vapor em momentos de pressão, mas ainda falta muita maturidade e prudência para que ele seja um bom investigador. Essa impulsividade dele foi o motivo de muitas das raivas que eu passei no livro, se pudesse, eu estapearia a cara do menino em muitos trechos. Mas, procurei sempre me lembrar e relembrar de que se não fosse essa característica irritante dele não haveria história para ser contada.
A trama toda é muito bem contada, os mistérios vão aos poucos sendo revelado e a sagacidade do Holmes é evidente.
O livro também conta com uma boa pitada histórica, sendo revelado muito da história dos Estados Unidos, e de outros diversos fatos interessantes. Amyus é um baita de um professor e ele tem uma forma muito lúdica e interessante de ministrar as aulas dele (o jovem Sherlock não possui a mesma opinião que a minha, mas eu acho Amyus Crowe um figurão).
Recomendo muito sua leitura.
OBS.: Acredito que ele possa ser lido por crianças à partir dos 13 anos, antes disso acho um pouco pesado devido à algumas cenas de morte meio perturbadoras (para crianças, acho que para o público adulto vai ser de boas).