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    Os Ensaios - Livro I -

    Michel de Montaigne

    Martins Fontes
    2002
    501 páginas
    16h 42m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.4
    33 avaliações
    Leram91Lendo28Querem170Relendo5Abandonos4Resenhas2
    Favoritos11Desejados170Avaliaram33

    Pela primeira vez no Brasil a edição completa e fiel de uma das mais importantes criações do pensamento humano, onde Montaigne repassa, sempre a partir de sua experiência pessoal, a virtude, a cólera, a presunção, a crueldade, e muitas outras questões humanas fundamentais sobre as quais todos nós questionamos.

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    Marcelo Barros  de Oliveira picture
    Marcelo Barros de Oliveira22/07/2015Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Que sei eu?"

    Os Ensaios de Montaigne são o fruto de uma amizade, ou melhor, de uma filiação à sabedoria. A questão que iluminará o pensador durante toda a sua relação com o conhecimento será: “Que sei eu?”. Tal interrogação, refletirá em cada passo que trilhar, a marca registrada de um ceticismo pirrônico, que o acompanhará assim como o “demônio de Sócrates”: uma voz da consciência que o lembra a respeito da sua ignorância, de modo que seus encontros com os “grandes pensadores” não resultem na ideia de que, por ter caminhado com eles, significa que conseguiu acompanhá-los. Montaigne, ao dialogar com os sábios, não busca um mestre ou uma doutrina para seguir cegamente, de consciência e juízos vazios. Ele não se intimida diante dos monumentos do saber: pensa sobre eles, critica-os, duvida de tudo que eles aparentam ser, compara-os com monumentos de outras culturas, avalia a utilidade de cada parte que os compõe para a vida, e por fim, se apropria dos filhos que nascem do parto de suas relações com os saberes, incorporando-os a sua alma. Agindo de outro modo, Montaigne acabaria se tornando mais um pedante na coleção de pedantes do seu século. Se a razão é apenas um instrumento para interpretarmos a realidade, percebe Montaigne, é preciso submeter tudo o que vemos ao nosso julgamento, do contrário, acabamos nos convencendo de que encontramos a Verdade, que temos a capacidade de enxergar a essência das coisas, e que temos um conhecimento absoluto a respeito da vida e, portanto, não precisamos saber de mais nada. Não é atoa que Montaigne não se deixar conduzir a não ser pelos seus devaneios e sua sede de movimento. O eu de Montaigne nunca se ausenta de suas reflexões, no contato com o mundo. Afinal de contas, o motivo de sua viagem pelo mundo do pensamento e da vida é conhecer-se e tornar-se conhecido, além, é claro, de tomar conhecimento de seu lugar no mundo, do que sabe e do que não sabe, do que pode ver e do que pode não ver. A consequência de suas pesquisas se reverterão em uma formação espiritual e carnal, não separadas, mas conectadas, ao ponto de Montaigne constatar que ele e os seus Ensaios se tornaram um só. Eis, aqui, a lição de Montaigne: “ouse saber”.

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    Michel Eyquem de Montaigne profile picture

    Michel Eyquem de Montaigne

    (Saint-Michel-de-Montaigne, 28 de fevereiro de 1533 — Saint-Michel-de-Montaigne, 13 de setembro de 1592) foi um escritor e ensaista francês, considerado por muitos como o inventor do ensaio pessoal. Nas suas obras e, mais especificamente nos seus "Ensaios", analisou as instituições, as opiniões e os costumes, debruçando-se sobre os dogmas da sua época e tomando a generalidade da humanidade como objecto de estudo. É considerado um céptico e humanista.

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    69 Seguidores

    Michel Eyquem de Montaigne