O Sermão da Sexagésima, de Padre Antônio Vieira, é uma reflexão profunda sobre a pregação da Palavra de Deus e seus efeitos na conversão das pessoas. A maneira como Vieira aborda a parábola do semeador é impactante: ele não apenas explica que a Palavra é uma semente, mas ressalta que são os maus exemplos dos próprios cristãos que fazem com que essa semente seja pisada e não frutifique.
Um dos pontos mais interessantes do sermão é a comparação entre a pregação e um espelho. Vieira ensina que o pregador concorre com o espelho, que representa a doutrina; Deus é a luz, que simboliza a graça; e o homem concorre com os olhos, que são o conhecimento. Essa analogia reforça a ideia de que a eficácia da pregação depende não apenas da Palavra em si, mas da disposição daqueles que a recebem.
O sermão também provoca uma reflexão sobre a diferença entre a pregação do passado e a dos tempos de Vieira. Ele questiona por que, no passado, o mundo se convertia, enquanto em sua época isso não acontecia mais. A resposta é contundente: antes, pregavam-se palavras acompanhadas de obras; agora, pregam-se apenas palavras e pensamentos vazios. Essa crítica continua atual, nos levando a refletir sobre a importância de um testemunho de vida coerente com aquilo que se prega.
O Sermão da Sexagésima é, portanto, uma obra essencial para quem deseja compreender a verdadeira eficácia da pregação cristã e a responsabilidade de cada um na propagação da fé.