Resgatando elementos de diversos campos do saber - filosofia, literatura, artes plásticas - Olgária Matos, em 'Discretas esperanças' vem explicitar uma inter-relação peculiar entre política e cultura. Em tempos de instituições democráticas corrompidas e de perda de referenciais humanísticos, essa importante obra discorre sobre questões essenciais da contemporaneidade. Reunida sob forma de ensaios, interligados pela busca da compreensão dos processos inerentes ao mundo contemporâneo, a obra é intensamente fecunda na medida em que retoma a tradição do pensamento filosófico para subsidiar essa tarefa. A autora revisita de Sócrates a Foucault, detendo-se mais demoradamente nos filósofos da Escola de Frankfurt, já que é uma importante intérprete das idéias dessa escola no Brasil. Trata-se de uma busca constante por uma sociedade que se alicerce nos laços da amizade, da fraternidade e da compaixão; por homens que se destituam do desejo de dominação e renunciem a se relacionar com a natureza como mero objeto; é, sobretudo, a tentativa de contemplar a questão "Que tipo de civilização queremos?"
