Imagino o quanto este livro foi inovador para a época. É escrito em "scrolls" (pergaminhos) com poucas divisões formais, muitas gírias e histórias de "mochilões" do autor e de amigos pelos "Estados Unidos profundos", tão diversos. O gigantesco país Estados Unidos é desvelado (e também uma parte do México), com diversas paisagens, hábitos e formas de diversão e socialização totalmente diferentes. É curioso ver Jack em um tipo de vida na costa oeste e, poucas páginas depois, em outro totalmente diferente na costa leste.
Há de se considerar o contexto, mas, aos olhos de hoje, a obra retrata diversos episódios machistas, em que homens fazem tudo o que querem, na hora que querem, sem se importarem com filhos, esposas e namoradas.
Neal Cassady tem um magnetismo que captura Jack. Muito da descrição do livro se dá a partir da energia inesgotável de Neal, que leva o grupo para diversas explorações, com sua empolgação e autoconfiança. Esse tipo de figura não me fascina, pelo contrário, me cansa. Não consigo encontrar nada de muito profundo no modo como Neal leva a vida.
De toda a forma, foi bom ter essa referência, que foi importante para o século 20. A narrativa prende em boa parte do livro. Jack consegue ter alguns bons momentos de reflexão sobre a vida. A temática de desbravar um país imenso também é legal, apesar de sempre se dar a partir do ponto de vista de homens brancos.
Consegui ler em inglês. Achei que seria difícil por conta das gírias, mas o Kindle ajudou nisso e foi uma boa forma de treinar o idioma.