Eu tenho para mim que fatos históricos como o holocausto judeu e os crimes cometidos no regime militar no Brasil devem ser sempre lembrados a fim de que as novas gerações não cometam os mesmos erros. Assim deveria acontecer também com esse fato ocorrido na década de 60, com a criminosa intenção de macular a doutrina espírita e os fenômenos de efeito físico.
A época, estava em evidência o fenômeno de materializações de espíritos em Uberaba, através da médium Otília Diogo, uma idosa, simples, humilde, semi a alfabeta, que passou a ser estudada por um grupo de 19 médicos, com a finalidade de comprovar cientificamente esse fenômeno.
Ocorre que esse fato chegou ao conhecimento da Revista O Cruzeiro, periódico popular e famoso, que solicitou que uma sessão fosse realizada perante repórteres da revista.
Aceita a proposta, foi realizada uma sessão onde os repórteres se fizeram presentes e tiveram todo o cuidado de verificar, de forma criteriosa, o ambiente e, principalmente, prenderam a médium em uma cadeira com tiras de couro e algemas, a fim de excluir toda a hipótese de fraude. Após iniciada a sessão, é materializado o espírito da Irmã Josefa e posteriormente do médico Alberto Veloso, sendo tudo fotografado pelos repórteres, inclusive dois deles ao lado das entidades. Ao final, todos esses repórteres deram seus depoimentos gravados, ratificando o fenômeno e que não encontraram nenhum indício aparente de fraude.
Ocorre que, posteriormente, de forma leviana, a revista publicou uma série de reportagens induzindo aos leitores que os fenômenos de materialização era uma fraude e atacando a honra e credibilidade dos médicos, colocando em cheque, não apenas os fenômenos espíritas, como a pessoa de Chico Xavier e Valdo Vieira que também se encontravam nessa sessão.
Por incrível que pareça, a comunidade espírita da época não se movimentou ou procurou sair em defesa, apenas o autor do livro, Jorge Rizzini e Luciano dos Anjos, a época membro da federação espírita, que procuraram refutar todos os argumentos em programas de televisão, até chegar a um confronto entre os dois lados em um programa ao vivo.
Os defensores da doutrina, de uma forma científica e racional passam a contestar veementemente os argumentos dos repórteres, até mesmo um pseudo laudo, expedido por um perito, que dizia ser o fenômeno uma fraude, através de um segundo laudo fornecido por profissionais sérios.
Esse livro traz toda a sequência dos fatos, desde a reunião até o último programa de televisão, bem como a íntegra dos laudos e depoimentos de Chico Xavier sobre o fato. Essencial para quem tem interesse em conhecer a história da Doutrina Espírita em nosso país.