Ensinando aos Pequenos - de Zero a Três Anos -

    ALESSANDRA ARCE, Ligia M. Martins

    Alinea
    2009
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-13: 9788575163573
    Português Brasileiro

    Ensinando aos Pequenos - de Zero a Três Anos criança pequenina encanta e, ao mesmo tempo, a responsabilidade de educá-la a muitos assusta. É possível falar em ensino para crianças menores de três anos? A criança produz ,ou não, cultura? Pode-se dar aulas para bebês? Como se desenvolve a criança pequena? Podemos interferir em seu desenvolvimento? Quem trabalha no berçário, maternal e nas creches é professor ou educador? Estas e outras questões são objeto de análises e discussões nesta obra que pretende colocar o ensino como eixo do trabalho com os pequeninos. Para tanto, os autores aqui reunidos produziram textos que servem como auxiliares no pensar e fazer cotidiano das creches e salas de educação infantil, objetivando a formação integral da criança de 6 meses a 3 anos de idade.

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    Liliane Barros30/05/2026Resenhou um livro
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    Um marco de resistência teórica no campo da Educação Infantil brasileira

    A organização da obra "Ensinando aos Pequenos: de Zero a Três Anos" pelas pesquisadoras Alessandra Arce e Ligia M. Martins representa . Inserido na matriz do materialismo histórico-dialético, o livro problematiza o recuo da intencionalidade pedagógica nas creches e pré-escolas, frequentemente legitimado por discursos que secundarizam o ato de ensinar em nome de um desenvolvimento pretensamente espontâneo da criança. O objetivo manifesto da obra é resgatar o ensino como categoria central da prática docente com bebês e crianças de até três anos, defendendo que a apropriação da cultura humana é a base para o desenvolvimento das funções psicológicas superiores desde o nascimento. A coletânea articula-se em torno de reflexões que buscam superar dicotomias históricas da área. Podem-se destacar três pilares argumentativos interligados que estruturam os textos reunidos: Amparadas nos pressupostos de Lev Vygotsky, as autoras refutam a premissa de que a atividade pedagógica deve aguardar a maturação biológica. Defende-se que o bom ensino é aquele que se adianta ao desenvolvimento, criando zonas de desenvolvimento proximal. O ato de ensinar aos bebês consiste, portanto, na organização deliberada do ambiente, dos objetos e das interações para provocar saltos qualitativos na psique infantil. A obra sublinha que as ações de higienização, alimentação e afeto não se opõem à atividade cognitiva; ao contrário, constituem momentos privilegiados de mediação cultural. O ato de banhar ou alimentar um bebê é compreendido como uma atividade humanizadora, na qual a linguagem e os significados sociais são transmitidos, superando-se o viés puramente biológico ou assistencialista. Questiona-se a desprofissionalização docente expressa em termos como tia ou educador em sentido genérico. A obra reivindica o estatuto de *professor* para quem atua no berçário e no maternal, exigindo uma sólida formação teórica que fundamente a práxis, de modo que o cotidiano escolar não seja guiado pelo improviso, mas pelo planejamento rigoroso. O principal mérito da obra reside na sua coragem epistemológica de empregar o termo "ensino" para a faixa etária de zero a três anos — conceito que, sob a égide de perspectivas idealistas ou de certas apropriações do construtivismo, foi rotulado como sinônimo de escolarização precoce ou diretividade opressiva. Arce e Martins demonstram que a ausência de direção pedagógica não liberta a criança, mas a priva do acesso aos bens culturais historicamente acumulados, aprofundando as desigualdades sociais. Do ponto de vista analítico, o texto preenche uma lacuna ao traduzir os constructos densos da psicologia histórico-cultural para as demandas objetivas do cotidiano das creches. Os autores demonstram como a intervenção do adulto transforma as reações reflexas do recém-nascido em ações psíquicas complexas e conscientes. Ensinando aos Pequenos* consolida-se como leitura indispensável para pesquisadores, formadores e docentes que recusam o esvaziamento cognitivo da educação da primeiríssima infância. A contribuição indelével das organizadoras reside em fornecer sustentação teórica e consistência argumentativa para que a organização do trabalho pedagógico nas creches seja reconhecida como atividade científica e política fundamental, comprometida com a formação integral e a emancipação humana desde o início da vida.

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