Por quê? Aos treze anos de idade me veio ter às mãos um livro de D. Antonio de Trueba, que se intitulava A Lei de Deus. Em dez narrativas de cativante interesse e dulcíssimo sabor, o notável prosador espanhol punha em ação, vigorosa e nitidamente, os Dez Mandamentos da Lei Divina. Tal foi a impressão que me causou a leitura desse livro, que ainda hoje… (Quantos anos? Quantos… se passaram já!…) perdura, em meu coração e no meu espírito, o benefício que dela me adveio. Confesso que, somente nessa ocasião, compreendi e admirei a perfeição daqueles dez artigos de lei, que encerram em si toda a felicidade do homem na terra. Agora, meditando sobre a nova lei – a do escotismo – que sem diferir da Lei Divina, na essência, traduz em fórmulas novas os deverem que incumbem à crença – e a muitos homens também – para conduzi-la à perfeição de poder assimilar e cumprir a Lei de Deus, é que me veio à memória o livro que, na infância, tanto me deliciou… Doze contos, singelas narrativas, nas quais ficassem apresentados ao vivo, exemplificados, os doze artigos do Código do Escoteiro, seriam – não o par, o pendant do livro de D. Antonio de Trueba – e isso porque lhe faltaria o principal, o preparo e a competência do narrador – mas um simples reflexo, embora pálido, da Lei de Deus. E como nem só aos audazes ajuda a fortuna, senão que também aos tímidos a crença auxilia, resolvi escrever minha desentoada algaravia, o que ao adiante poderão ver. 1926. BENEVENUTO CELLINI. (na Selva: Jaboty – etê)
Os Mandamentos do Escoteiro -
Benevenuto Celini
Centro Cultural do Movimento Escoteiro
1926
122 páginas
4h 4m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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