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    O tenente Gustl (As Grandes Obras de Arthur Schnitzler) -

    Arthur Schnitzler

    Record
    2012
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-13: 9788501090805
    Português Brasileiro
    3.9
    207 avaliações
    Leram273Lendo6Querem200Relendo0Abandonos1Resenhas25
    Favoritos10Desejados200Avaliaram207

    Nesta que é sua obra mais importante, Arthur Schnitzler lança mão do revolucionário recurso do monólogo interior para nos apresentar seu mais desconcertante personagem: o atormentado tenente Gustl. Na saída de um concerto o tenente é ofendido por um padeiro e sente a obrigação moral de se suicidar por não tê-lo desafiado a um duelo. Durante a fatídica noite, Gustl perambula por Viena tomado por seus mais íntimos temores repassando a vida medíocre e vazia que levara até então. Pouco antes de finalmente disparar o revólver contra si, no entanto, ele recebe uma inesperada notícia...

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    Karin de Guise picture
    Karin de Guise19/04/2026Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma janela sobre o passado

    Nesse breve fluxo de consciência, Schnitzler expõe vaidade, egoísmo, comodismo afetivo e fraqueza moral. O personagem mede relações pelo prazer e pela conveniência, lamenta o que perdeu não por amor, mas por conforto. E justamente aí reside o valor da literatura: mostrar o humano como ele é, não como gostaríamos que fosse. Foi particularmente interessante ter lido “O Tenente Gustl” após “Sem Olhos em Gaza”. Em Schnitzler, temos uma janela direta para a mentalidade europeia anterior à Primeira Guerra: o culto da honra, o militarismo como ideal de vida, a rigidez hierárquica e uma visão das relações entre homens e mulheres em que elas surgem como figuras inferiores, muitas vezes reduzidas a objetos de prazer, conveniência ou status masculino. Gustl é menos um indivíduo isolado do que o produto de uma época inteira. Já Huxley escreve do outro lado da catástrofe. Em “Sem Olhos em Gaza”, vemos o esgotamento moral e espiritual do mundo que aquele pensamento ajudou a construir: uma civilização desiludida, fragmentada, sem rumo seguro. Se em Schnitzler a honra exterior governa o homem, em Huxley o indivíduo volta-se para dentro de si em busca de sentido. A consciência passa a ocupar o lugar da farda, da pose e do código social. É justamente por isso que a literatura importa tanto: ela nos permite acompanhar não apenas fatos históricos, mas transformações da alma humana. Ler autores de épocas distintas é perceber causas e consequências, ilusões e ruínas. Por isso é lamentável quando tentam “corrigir” obras do passado em nome da sensibilidade presente, pois perde-se a oportunidade de compreender como certas ideias nascem, seduzem e, por vezes, devastam o mundo. Ao higienizar textos antigos, apaga-se não apenas a linguagem de outra época, mas também seus vícios, contradições e cegueiras — isto é, aquilo que mais nos ensina. Livros são documentos vivos da condição humana. Se destruirmos essa memória, corremos o risco de repetir os mesmos erros, agora sem sequer reconhecê-los.

    11 curtidas

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    3.9 / 207
    • 5 estrelas21%
    • 4 estrelas42%
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    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas0%
    Arthur Schnitzler profile picture

    Arthur Schnitzler

    Arthur Schnitzler nasceu em 1862, em Viena (Áustria), filho de um famoso médico. Cresce em um ambiente em que se cultivava poesia, pintura e literatura; seu pai recebia em casa importantes personagens da cidade. Começa a carreira literária aos 18 anos, com a publicação de A Canção de Amor da Bailarina. Forma-se em medicina, em 1885, pela Universidade de Viena. Nos três anos seguintes foi assistente de um cirurgião. Interessa-se pelo estudo da psiquiatria, participando de congressos científicos em vários países. Exerce a profissão até 1894, quando decide dedicar-se à literatura. Como escritor, fica conhecido com a publicação de Anatol (1893) e Ronda (1897), peças de teatro que descrevem a atmosfera de erotismo e melancolia da Viena do fim-de-século - e causaram escândalo quando encenadas. Como escritor e também como psicólogo, Schnitzler antecipou idéias do criador da psicanálise, Sigmund Freud. O Caminho Solitário (1908) trata do anti-semitismo da época, mesmo tema de sua tragédia Professor Bernhardt (1912). Autor de muitos outros livros, entre os quais O Retorno de Casanova (1918), Senhorita Else (1924) e Breve Romance de Sonho (1926), Arthur Schnitzler morreu em Viena, em 1931.

    51 Livros
    27 Seguidores
    Viena, Áustria

    Arthur Schnitzler