O Som da Revolução - Uma História Cultural do Rock - 1965-1969

    Rodrigo Merheb

    Civilização Brasileira
    2012
    532 páginas
    17h 44m
    ISBN-10: 8520010555
    Português Brasileiro

    Montado sobre uma base de conhecimento sólida, O Som da Revolução se propõe a contar a história cultural do rock a partir de um corte histórico entre os psicodélicos anos de 1965 e 1969. Com um texto envolvente, Merheb capta o espírito de um tempo que não parece ter fim e de uma geração que ousou mudar o mundo ao som do rock de Bob Dylan, The Byrds, Beatles e Pink Floyd.

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    Rodrigo Arlindo Pereira Brandani06/03/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O Som da Revolução: Uma História Cultural do Rock – 1965-1969 de Rodrigo Merheb é mais uma das minhas leituras “homeopáticas”. Fui degustando o livro ao longo de alguns meses. A leitura esparsa dos capítulos não prejudicou minha leitura como um todo, pois, os capítulos tratam de artistas e momentos específicos, de forma que as histórias nele retratadas ficam estritamente demarcadas. Mesmo quando houve intersecções temporais e narrativas entre os capítulos não me perdi, as conexões eram claríssimas e facilmente retomáveis. Quanta ao conteúdo em si: essa obra registra momentos definitivos para o que é o rock atualmente, seja desmistificando momentos consagrados (Woodstock principalmente), seja tecendo a trama de como o rock dos anos 60 caminhou na estreita senda limitada por um lado pela representatividade cultural e política e por outro pelo “assoreamento” do aspecto “contestador” do rock, “soterrado” pela intensa capitalização do estilo. Vejo como o maior exemplo desse último processo a descrição da curta carreira do MC5, que acabou no mais recôndito interstício da “senda” ao ser esmagada pela tensão de suas “barreiras limítrofes”. Outros pontos marcantes para mim: 1. a história do “rompimento” de Bob Dylan com o folk, assim como sua interessante indiferença em relação ao sucesso. Achei extremamente interessante o relato de como ele, no auge de sua carreira, pressionado por produtor, empresário e gravadora a excursionar o máximo possível para encher o bolso desses malditos, prefiriu ficar “na roça” com a família por 2 anos; 2. O incrível contraponto proposto pelo Velvet Underground. Situados na costa leste, associados a Andy Warhol, produziram uma música na contracorrente da produzida pela costa oeste, seja na temática, seja na sonoridade. Lou Reed usou o Velvet de laboratório, pois, apesar do fracasso comercial, e da subsequente “derrocada” do compositor após sua saída da banda, toda aquela experiência artística preparou-o para sua bem sucedida carreira solo; 3. A descrição das condições reais de Woodstock. A impressão de “paz e amor” é um legado um tanto ilusório. Rodrigo descreve as reais condições em que o festival foi realizado e narra todas as situações delicadas ocorridas no decorrer do evento. Até mesmo desmistifica a canção “Woodstock” de Joni Mitchell, claramente uma idealização de alguém que sequer lá esteve. Também é interessante a descrição de como a escala do Woodstock modificou a visão dos produtores de eventos, ali vislumbrou-se a era dos concertos em larga escala como uma “mina de ouro”. Dali pra frente as bandas do mainstream deixaram os teatros e clubes em segundo plano e passaram a frequentar mais constantemente estádios e imensos palcos ao ar livre.

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