Na literatura de língua portuguesa, António Lobo Antunes é o anti-Saramago por excelência. Não apenas pela razão anedótica de ter perdido o Prêmio Nobel para o seu compatriota mas porque a ficção de Lobo Antunes encontra-se no extremo oposto dos romances de perfil clássico e totalizante de Saramago, dominados ainda por um autor onipresente e onisciente. Em Lobo Antunes, a narrativa é servida por uma multiplicidade de vozes, fragmentos, rememorações autobiográficas e fantasmagóricas. E, se Saramago ambicionava uma literatura humanista de vocação universal, Lobo Antunes elege Portugal – a ditadura, as guerras coloniais, a transição democrática – como matéria-prima da sua reflexão romanesca. Memória de Elefante (1979), que o próprio autor integra no "ciclo de aprendizagem", contém assim as sementes estilísticas e temáticas que, na verdade, só viriam a florescer em pleno uma década mais tarde.
Memória de Elefante (Coleção Folha Literatura Ibero-Americana #4) -
António Lobo Antunes
Folha de S.Paulo
2012
162 páginas
5h 24m
ISBN-13: 9788579490507
Português Brasileiro
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