O livro começa com Carley sendo enviada para os Murphys após o padrasto quase matar ela e a mãe. Os Murphys , principalmente a mãe, parecem aquela típica família perfeita, com uma figura materna acolhedora, um pai vidrado por beisebol e três filhos. A autora tenta contrastar os Murphys com a antiga vida de Carley, o que não foi muito bem executado, pois não foram mostrados acontecimentos que expusessem situações em que a mãe tenha sido abusiva. Na verdade, ocorre o contrário: a narrativa mostra que, apesar das dificuldades que passaram, a mãe ainda demonstrava carinho pela filha. Algo que não fez sentido no início do livro foi a tentativa da autora de fazer o leitor acreditar que a mãe de Carley teria ajudado o padrasto na tentativa de assassinato. É incoerente, já que Carley ficou hospitalizada por apenas alguns dias, enquanto a mãe precisou ficar por meses, passando inclusive por um processo de readaptação para voltar a andar. Quando finalmente descobrimos que, na verdade, a mãe tentou proteger a filha (e por isso ficou em estado grave), não temos a oportunidade de celebrar esse fato, pois, páginas antes, Carley traz memórias de momentos em que a mãe foi completamente negligente. Outro ponto incômodo foi o desenvolvimento das relações. O conflito entre Daniel e Carley foi resolvido de forma repentina, e me irritou o fato de a Sra. Murphy nunca ter corrigido o filho ou exigido que ele pedisse desculpas após ofendê-la. Também achei a amizade entre Toni e Carley um pouco apressada, embora tenha gostado dos paralelos entre Wicked e a relação delas. Para mim, a melhor parte foi a autora não ter seguido o caminho óbvio da adoção pelos Murphys, optando pelo retorno de Carley para a casa da mãe.