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    Lições de Filosofia Tomista -

    Manuel Corrêa de Barros Júnior

    Figueirinhas
    1945
    425 páginas
    14h 10m
    ISBN-1: 0
    Português
    4.5
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    Reúnem-se neste volume, com as adições e as modificações aconselhadas pela experiência, os textos das lições de filosofia tomista realizadas por mim, na sede da Juventude Universitária Católica do Pôrto, de Janeiro a Maio de 1942. Essas lições, que não foram doze, mas quase o dobro, por depressa se ter reconhecido que a matéria que no texto constitui uma lição é demasiada para uma sessão só, destinavam-se aos filiados da JUC, e, além destes, a todas as pessoas que pelo assunto se pudessem interessar. A natureza do público fixava a índole que deviam ter. A assistência, composta na sua maior parte de alunos e alunas da nossa Universidade, tinha nível intelectual elevado, mas preparação filosófica deficiente. Em tudo o que pertencesse propriamente à filosofia, era por isso necessário que começassem pelo princípio, fixando cautelosamente as noções basilares antes de fundar sobre elas qualquer desenvolvimento. Por outro lado, não deviam limitarse às idéias gerais. Deviam atingir o essencial dos principais problemas filosóficos, indicando, tanto quanto possível com clareza e concisão, a maneira por que os resolve a filosofia tomista. Deviam também abordar, embora de leve, os assuntos relacionados com questões científicas familiares àqueles que as ouviam, de forma a estabelecer o contato entre a filosofia e as ciências especializadas que têm lugar tão importante na cultura dos nossos dias. Finalmente, sem deixar o campo da filosofia, deviam chamar a atenção para a maneira por que a teologia pode completar o estudo de certos assuntos que a filosofia só aborda parcialmente, e mostrar assim que não há, como pensaram alguns dos adversários de S. Tomás, duas verdades distintas, uma filosófica, outra teológica, mas uma verdade só, parte da qual acessível à razão fundada na experiência, parte à razão fundada na Revelação. Ao fazer estas lições, sabia a quem me dirigia. Agora, publicadas em volume, não me é possível saber a que mãos irão parar. Se for às mãos dum católico, inclinado a olhar com simpatia a filosofia tomista, por causa da aprovação que a Igreja lhe tem manifestado publicamente, não quero deixar de lhe apontar o exemplo de S. Tomás, que nunca hesitou em abordar, com a maior objetividade, os grandes problemas intelectuais do seu tempo, convicto de que todos, se forem encarados com largueza de vistas, se podem resolver dentro da mais rigorosa ortodoxia. Se for às de um não católico, disposto, pelo mesmo motivo, a ver o tomismo com desconfiança, devo lembrar-lhe insistentemente que não se trata, para S. Tomás, de proselitismo, mas duma tentativa honesta, dum esforço sincero de compreensão da realidade. Quando S. Tomás pretende convencer, e fá-lo sempre com firmeza e simplicidade, não é para chamar os outros ao seu campo, mas para lhes levar o que, segundo pensa convictamente, é a expressão da verdade. A exemplo de S. Tomás, também eu não defendo o sistema tomista por espírito de partido, mas por julgar que esse sistema, pelo menos nas suas grandes linhas, e compreendido no seu espírito mais do que nas palavras que às vezes podem traí-lo, se deve considerar verdadeiro. Dar-me-ei por satisfeito se tiver despertado em alguém o desejo de conhecer mais aprofundadamente o tomismo. S. Tomás é um pensador que só lucra em ser conhecido de perto. Não faltam hoje, felizmente, exposições boas e desenvolvidas da sua filosofia, algumas das quais indico na bibliografia com que fecha este volume. Também há edições de algumas obras, suas, preparadas especialmente para um público moderno, às quais se pode ir procurar, na fonte, a expressão do seu pensamento. Para umas e outras remeto todos aqueles a quem esta exposição rápida do tomismo não puder satisfazer.

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    Manuel Corrêa de Barros Júnior  profile picture

    Manuel Corrêa de Barros Júnior

    Académico exemplar, Engenheiro inovador e de excelência, Cidadão influente e de forte pendor humanista. Assim se pode definir o caráter multidisciplinar da vida e obra de Manuel Corrêa de Barros Júnior (1904-1991), a Figura Eminente da U.Porto 2017. Promovida pela Reitoria e pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) no seguimento dos eventos evocativos de personalidades eméritas da Universidade realizados ao longo da última década, ,esta homenagem reconhece um nome incontornável da engenharia portuguesa e da U.Porto, através de uma série de ações abertas à comunidade, que pretendem celebrar a vida e obra de uma figura (ver perfil abaixo) que deixou marcas relevantes na sua época e influenciou decisivamente gerações de jovens que com ele conviveram. A sessão de abertura do ciclo comemorativo da vida e obra de Corrêa de Barros Júnior – Figura Eminente da Universidade do Porto 2017 –, está agendada para o próximo dia 7 de junho, quarta-feira, pelas 18h00, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Porto. Confirmadas estão as presenças de José Novais Barbosa, Presidente do Parque de Ciência e Tecnologia da U.Porto (UPTEC), antigo Reitor da U.Porto e professor Emérito FEUP, que terá a oportunidade de abordar questões como a sua valorização pessoal e académica, António Machado e Moura, docente catedrático do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da FEUP que irá, por sua vez, abordar o seu percurso profissional e, finalmente, Graça Correia de Barros, sobrinha do homenageado e também engenheira de profissão, imputando uma visão familiar à sessão. Neste mesmo dia, será inaugurada, na Sala de Exposições da Reitoria, a Exposição Antológica sobre a vida e obra de Corrêa de Barros, onde estarão patentes documentos bibliográficos e iconográficos. Paralelamente, alguns dos conteúdos da exposição serão disponibilizados ao público através do Catálogo da Biblioteca da FEUP/U.Porto. Esta exposição estará patente até 29 de de julho. Está prevista também a realização de uma Mesa Redonda no dia 6 de julho, no Auditório da Faculdade de Letras da U.Porto, intitulada “Qual o papel das humanidades, em particular da filosofia e literatura, no processo de ensino e aprendizagem das ciências e tecnologias?” e centrada na vertente humanista do pensamento de Corrêa de Barros. Já no dia 12 de outubro, realiza-se no Museu do Carro Elétrico (antiga Central Termoelétrica de Massarelos, à qual Corrêa de Barros deu uma grande contribuição) um debate que vai versar sobre a inovação na eletrificação da cidade e dos transportes públicos e evolução para as energias renováveis e para as “smart grids” de hoje. Esta sessão será acompanhada de uma visita guiada às instalações onde Corrêa de Barros trabalhou. Ainda no âmbito das comemorações da Figura Eminente da U.Porto 2017 e com o objetivo de integrar os estudantes e sensibilizá-los para a as vantagens de uma formação holística e multidisciplinar de base, será lançado, no dia 8 de junho, um Concurso de Ideias, no qual os participantes devem enviar, sob a forma de ensaio ou vídeo, uma ideia inovadora para fomentar a multidisciplinaridade e a interdisciplinaridade na U.Porto, inspirada na figura de Corrêa de Barros. Ao autor da melhor ideia serão entregues vouchers de viagens de avião no valor 1.000 euros. O ciclo comemorativo conclui-se no dia 23 de novembro, no Auditório da FEUP, com uma palestra sobre Matemática e Música, proferida pelo docente da Faculdade de Ciências da U.Porto (FCUP) João Tavares, tema abordado por Corrêa de Barros numa das suas famosas preleções. Será também este o momento de divulgação e entrega dos prémios ao vencedor do Concurso de Ideias para Estudantes. E porque música não podia faltar, seguir-se-á o derradeirdo momento de encerramento da homenagem: um concerto da Orquestra Clássica da FEUP. O programa de comemorações, que conta com o comissariado de José Marques dos Santos, antigo Reitor da U.Porto, Diretor da FEUP e professor Emérito da Faculdade de Engenharia pode ser consultado no site do evento, em figuraeminente.up.pt/2017/. Sobre Manuel Corrêa de Barros Júnior Natural do Porto, onde nasceu a 7 de outubro de 1904, Manuel Corrêa de Barros Júnior licenciou-se em Engenharia Civil em 1929 na FEUP. Foi em 1933 que obteve uma nova licenciatura, desta vez em Engenharia Eletrotécnica, também na Faculdade de Engenharia, prosseguindo estudos até ao doutoramento (1944), onde abordou “Os Comprimentos Virtuais dos Caminhos de Ferro Eléctricos”. Em 1942, e também na Faculdade de Engenharia, foi contratado como Assistente, e, em 1945, como Professor Catedrático do 6º Grupo (Electrotecnia). De 1950 a 1961 foi diretor desta mesma Faculdade, ano em que tomou posse como Reitor da Universidade do Porto. Destes mandatos, destaque para a restauração da antiga Faculdade de Letras (1961) e para o arranque das atividades da Faculdade de Economia. A seu pedido, foi exonerado do cargo de Reitor em 1969, momento em que assume a presidência da Comissão Eletrotécnica Portuguesa. Em 1970 regressa à FEUP, onde assume os cargos de diretor das Oficinas de Eletrotecnia e diretor do Gabinete de Eletricidade. Jubilou-se a 23 de janeiro de 1975. A nível profissional, foi na Central Termoeléctrica de Massarelos da Companhia Carris de Ferro do Porto, onde esteve entre 1931 e 1945, que Corrêa de Barros esteve envolvido em trabalhos muito relevantes ligados à eletrificação da cidade do Porto, nomeadamente a modernização e aumento da capacidade da central e a sua adaptação à queima dos carvões nacionais de inferior qualidade. A partir do ano de 1945 e durante cerca de vinte e cinco anos foi engenheiro numa empresa produtora de porcelanas elétricas, exercendo o cargo de diretor do Gabinete e Laboratório de Estudos da Fábrica de Porcelana da Vista Alegre, que criou, tendo tido intervenção destacada no desenvolvimento de isoladores elétricos para redes de alta tensão utilizados em Portugal. Paralelamente aos notáveis contributos na área da Engenharia, a Figura Eminente U.Porto 2017 publicou várias obras ligadas ao pensamento, filosofia e poesia: “Lições de Filosofia Tomista” (1942), “Sonetos Portugueses” (1945) (tradução de obra de Elisabeth Barret Browning), “Reflexões de um Estudioso de S. Tomás” (1982) e “Filosofia Tomista”, 2.ª Ed. Revista (1966). Manuel Corrêa de Barros faleceu no Porto a 8 de abril de 1991, deixando um legado de grande dedicação à Universidade do Porto e à sociedade, com contributos inexcedíveis para o crescimento do nível científico e técnico e do prestígio dos cursos de Engenharia Eletrotécnica e de Engenharia Mecânica da FEUP, não esquecendo o seu pendor humanista e intelectual multifacetado, nos domínios da filosofia, da linguística e da música, características de grande relevância para uma Universidade que se preocupa com a formação integral dos seus estudantes. Partilhar isto: FacebookTwitterLinkedInGoogle

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