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    O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam -

    Evandro Affonso Ferreira

    Record
    2012
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-10: 8501096415
    Português Brasileiro
    3.9
    178 avaliações
    Leram252Lendo14Querem307Relendo0Abandonos5Resenhas20
    Favoritos30Desejados307Avaliaram178

    Vencedor do Prêmio Jabuti na categoria romance A obsessão com a originalidade da linguagem sempre foi uma marca registrada de Evandro Affonso Ferreira, cuja literatura, iniciada em 2000 com o elogiado Grogotó, chegou a ser comparada à de Guimarães Rosa. Mas agora, aos 66 anos e em seu sexto livro, o escritor está mais reflexivo. Deixou de lado o cuidado excessivo com a forma, mas sem abrir mão da musicalidade, do cuidado com as palavras, da concisão — o que já vinha fazendo desde seu romance anterior, Minha mãe se matou sem dizer adeus, vencedor do Prêmio APCA de melhor romance de 2010 e finalista dos prêmios São Paulo de Literatura e Jabuti de 2011. Neste belo e devastador O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam, o autor volta a abordar temas “tenebrosos”, como solidão, loucura, decrepitude, morte. Por trás do longo título está a história de um homem culto, profundo conhecedor da obra do filósofo holandês, que, depois de ser abandonado por sua amada, perdeu a razão e transformou-se em um morador de rua. Um romance “niilista-lírico”, como define o próprio autor, em que ele abre mão do parágrafo, apresentando-o de um fôlego, valendo-se com habilidade do fluxo de consciência. Há dez anos vagueando pelas ruas do centro de uma metrópole à procura de coincidências poéticas que lhe aplaquem tristeza, dor e solidão, um homem atormentado experimenta a proximidade dolorosa do mundo enquanto espera o retorno de sua amada — a que lhe deixou bilhete dizendo “Acabou-se, adeus”. Seu mantra, ladainha ou refrão, repetido incansavelmente, “Ela virá — Eu sei”, impulsiona-o a seguir adiante mesmo que não haja um rumo certo. Sem poder nomeá-la ou mesmo ancorá-la em algum porto seguro nos seus pensamentos, escreve a lápis em todos os espaços vazios da cidade a letra N, inicial do nome da amada, e lança desafio aos deuses do esquecimento trazendo o tempo todo à memória os momentos de intimidade afetiva e intelectual vividos ao lado dela. Levando consigo os adágios de Erasmo de Rotterdam, esse mendigo erudito conhece tudo sobre vida e obra do humanista holandês — sim, o mesmo do Elogio da loucura. E narra o tempo todo sua história a um interlocutor-escritor imaginário, a quem chama de “senhor”. Ambos, narrador e interlocutor, estão debaixo de um viaduto entre tantos outros personagens-mendigos, que de miseráveis anônimos e insólitos se transformam em criaturas extraordinárias na imaginação do mendigo-poeta, como a “mulher-molusco” e o “menino borboleta”.

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    Resenhas (20)Ver mais
    Clio picture
    Clio03/01/2025Resenhou um livro
    3 (Bom)

    A primeira vez que li um solilóquio foi justamente o do personagem título, Erasmo de Rotterdam, que como Ferreira revela foi um famoso filosófo na Europa renascentista... e são justamente os seus trabalhos que inspiraram essa obra. São observações da vida diária da população marginal de uma grande cidade - um mendigo conversando com seu interlocutor, no caso, o leitor - com constantes aforismas e longas passagens referentes a ela, a mulher que o abandonou. O texto é um achado de analogias cuidadosamente empregadas que não poupam o leitor, as citações mais evidentes são prontamente reconhecidas por Ferreira, todas as outras são obrigação de quem lêe. Mas, acredite em mim, elas enriquecem o texto porém sem torná-lo inelegível para os leitores de primeira viagem. É uma leitura curta que segue em suas mais de cem páginas o folêgo de uma conversa. Recomendo.

    111 curtidas

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    • 4 estrelas40%
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    • 2 estrelas8%
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    Evandro Affonso Ferreira profile picture

    Evandro Affonso Ferreira

    Evandro Affonso Ferreira nasceu em Minas Gerais, em 1945, mora em São Paulo há 40 anos. Surgiu na literatura em 2000, apresentado por José Paulo Paes. Participou de coletânea de contos em Portugal (Editora Cotovia) ao lado de nomes como Osman Lins, Dalton Trevisan, Hilda Hilst e José J. Veiga. É autor de títulos como Grogotó! (Topbooks), Araã! (Hedra), Erefuê, Zaratempô! e Catrâmbias! (Editora 34). Em 2010, ganhou o Prêmio APCA de Melhor Romance, com Minha mãe se matou sem dizer adeus; em 2013, foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura e vencedor do Prêmio Jabuti com O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam.

    17 Livros
    37 Seguidores
    Minas Gerais, Brasil

    Evandro Affonso Ferreira