No final da década de 1970 a construção da estrada Transamazônica foi divulgada como uma grande conquista da engenharia moderna, alcançando projeção internacional.
A notícia chamou a atenção da enfermeira neozelandesa que, na época, na casa dos 50 anos, já era uma ciclista experiente e já tinha feito longas viagens, inclusive fora da Nova Zelândia.
Com um mínimo de patrocínio e sem nenhum apoio direto, decidiu percorrer, em 1978, o trajeto sozinha de bicicleta. O título original em inglês, The Impossible Ride, e o subtítulo no Brasil, fazem referência direta ao comentário mais comum que recebia quando falava de seu projeto: impossível! As pessoas alertavam-na sobre os perigos de ser uma mulher sozinha, viajando vulnerável por lugares inabitados, onde poderia ser atacada por animais, índios ou bandidos. Ela costumava não debater com estas pessoas, mas rebatia para si mesma estes argumentos dizendo que se ela poderia ser atacada por alguém então os lugares não seriam enfim tão desabitados", e via em sua própria vulnerabilidade sua maior proteção, carregando consigo a crença de que lugares pobres e isolados tendem a ter pessoas simples e mais solidárias.
Aparentemente ela conseguiu provar sua tese, pois recebeu ajuda na forma de abrigo e comida de moradores que viviam ao longo da estrada no projeto de colonização da floresta, vivendo em assentamentos como pequenas fazendas, agrovilas e garimpos, assim como de alguns indígenas, que mais tarde viria querer ajudar com a criação de uma clínica médica móvel para atender a região, que seria financiada com fundos arrecadados pela venda deste mesmo livro!
Desde o início, também buscou algum apoio junto ao DNER, órgão do governo responsável pela gestão da Estrada, e de fato isto lhe abriu algumas portas, principalmente quando passava por cidades pequenas e maiores. Sem falar português (detalhe que tornava o sucesso de sua empreitada ainda mais improvável), também recebeu alguma ajuda de missionários religiosos estrangeiros diversos por onde passava, pegando o contato de uns com os outros, conforme avançava.
Assim ela conheceu um Brasil profundo, com modos de vida desconhecido para a maioria dos brasileiros e, apesar da ajuda que encontrava pelo caminho, também viajou e dormiu sozinha na floresta. Alguém comentou que ou ela era a pessoa mais corajosa ou mais louca que conhecera; ela escreveu que, em vários momentos, acreditou ser a segunda opção.