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    Dicionário da Hinterlândia Carioca -

    Nei Lopes

    Pallas
    2012
    400 páginas
    13h 20m
    ISBN-13: 9788534704762
    Português Brasileiro
    4.3
    3 avaliações
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    Nei Lopes define a expressão hinterlândia carioca como “a região afastada do centro metropolitano, tido como culturalmente mais importante”. No Rio, a expressão, antes mesmo do século XVI, já definia o conjunto das localidades “às margens dos trinta e três rios que deságuam na Baía de Guanabara” e “aquelas pertencentes às demais zonas rurais”. E dentro desse universo existe um vocabulário próprio e cheio de histórias pra contar. A ideia de subúrbio foi construída pelas classes dominantes como um espaço idealizado (com uma suposta “pureza” original do homem do povo e de sua sociabilidade) e como espaço de transgressão (um subúrbio que, de forma oposta ao primeiro, não é “puro”); cheio de contradições e sofrimentos impostos pelo jugo de uma exploração. Foram essas elites que, tomando a natureza como parâmetro, optaram pela separação da cidade em duas partes: uma, predominantemente litorânea, abrigando preferencialmente os ricos e remediados; outra, do outro lado da grande montanha, reservada aos cidadãos tidos como de segunda classe. Nos verbetes do Dicionário da Hinterlândia Carioca o subúrbio é o lugar privilegiado onde o urbano encontra o rural, onde o nacional abraça o global e onde o presente mais fortemente se nutre do passado. É nele que o fato cultural passa pelo filtro ou pelo amplificador da indústria para se espalhar pelo Brasil e ganhar o mundo. Um dicionário que é um verdadeiro mapa para se perder pela história dos subúrbios do Rio.

    Resenhas (1)Ver mais
    Luis Eduardo Souza Costa picture
    Luis Eduardo Souza Costa05/05/2012Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A cultura do além túnel.

    O conceito de cidade partida , difundido no grande livro de Zuenir Ventura sobre Vigário Geral, permanece inconscientemente quando relacionamos a alta cultura às áreas nobres da cidade, notadamente o centro e a zona sul. Essa postura preconceituosa e perpetuada por boa parte da chamada “grande imprensa” é combatida por Nei Lopes em “Dicionário da Hinterlândia Carioca”, obra lançada a poucos meses pela editora Pallas, e que marca com letras douradas os 70 anos do autor, cantor e compositor, notabilizado por trabalhos voltados para o resgate da nossa cultura popular, principalmente em suas raízes afro brasileiras. Antes de mais nada, é preciso explicar o termo “Hinterlândia”. Originário do alemão hinterland, a palavra designaria o interior em relação ao núcleo principal, ou seja, a cidade. Para Nei, a hinterlândia nada é mais do que o bom e velho subúrbio, aqui representado pelas zonas norte e rural do Rio de Janeiro. O dicionário na verdade é uma enciclopédia, que elenca não só os bairros e localidades da área focalizada, como também resgata personagens que fizeram e fazem a história da cidade em sua expressão mais legítima. Há figuras clássicas relacionadas ao subúrbio como Zico, Paulo da Portela, o escritor Paulo Lins, o bicheiro Natal, o sambista João Nogueira, até outros insuspeitos mas que cuja história tem laços com a Hinterlândia, como a jornalista Flávia Oliveira (titular de uma coluna na editoria de economia do Jornal “O Globo”), o cantor Agnaldo Rayol e o ator Rogério Fróes. Paralelamente, Nei Lopes faz a historiografia de toda a região, resgatando tradições por trás de expressões idiomáticas, festas tradicionais (como a festa da Penha) e nomes de vias importantes. Em suma, uma verdadeira obra de referência, revelando o carioquíssimo Rio de Janeiro além do chavão dos cartões postais.

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    Nei Braz Lopes profile picture

    Nei Braz Lopes

    Nei Braz Lopes (Rio de Janeiro(no bairro de Irajá), 9 de maio de 1942), ou simplesmente Nei Lopes, é um compositor, cantor e escritor brasileiro. Notabilizou-se como sambista, principalmente pela parceria com Wilson Moreira. E paralelamente à atividade de compositor, Nei Lopes, sócio correspondente do CICIBA, Centro Internacional das Civilizações Bantu, com sede na República do Gabão, é escritor de vasta obra toda centrada na temática afro-brasileira e compreendendo ensaios como "O Samba, na Realidade" (1981), "Bantos, Malês e Identidade Negra" (1988), "O Negro no Rio de Janeiro e Sua Tradição Musical" (1992), "Zé Kéti, O Samba Sem Senhor" (2000), "Logunedé; santo menino que velho respeita"(2000), além de um "Dicionário Banto do Brasil" (1996) e um volume de poemas "Incursões sobre a Pele" , também de 1996, entre outras publicações.

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    Nei Braz Lopes