O que eu mais gostei nessa leitura foi sentir como se Aleida conversasse comigo, me contando sobre sua vida sem pose, sem mito e sem glamour forçado.
Me pegou muito a forma como ela consegue mostrar o Che longe do pedestal, como companheiro, pai ausente pela própria escolha e homem atravessado por contradições. Não é um relato ressentido, mas também não é ingênuo. Ela ama, admira, mas não esconde o peso de viver ao lado de alguém que sempre colocou os interesses coletivos acima dos interesses individuais.
O livro ganha força justamente por ser íntimo e político ao mesmo tempo, mostrando como as mulheres sustentam a revolução nos bastidores, com trabalho, cuidado e resistência cotidiana. As memórias são diretas, humanas e cheias de afeto, sem tentar transformar dor em espetáculo.
Dou 4,5 estrelas porque é potente, necessário e honesto. Perde meio ponto porque, apesar de ser um relato forte, sensível e muito honesto, o livro passa rápido por experiências que dariam ainda mais densidade à própria trajetória dela como mulher, combatente e mãe. Fica aquela sensação de que ela tinha muito mais para contar sobre si mesma, não só sobre ele.