Que o fogo seja criador parece um paradoxo, tão entranhada e disseminada anda a idéia de que seja um elemento apenas destruidor. Mas ele é sobretudo construtivo, e neste sentido tem aplicação prática na vida cotidiana, desde o preparo de nossa alimentação. E assim também no cosmos, onde está sempre atuante na destruição de formas velhas e na reconstrução de outras novas, para que a vida se perpetue numa manifestação cada vez mais plena e pujante. O Fogo foi sempre tomado como um símbolo vivo, dinâmico, poderoso, invencível da Vida Divina. Por isso toda a antiguidade reverenciou o Sol como o mais categorizado e completo símbolo da Divindade Suprema. Por isso também o Antigo e o Novo Testamentos descrevem frequantemente o fogo como representante e emblema cintilante de Deus, Cristo, e o Espírito Santo. Figura o elemento ígneo da criação universal, de que o Sol é o protótipo. Em têrmos atuais, é o surgir de uma nova era mais rutilante, em que se erguerá uma nova civilização, mais gloriosa e fraternal, ao passo que a velha vai desaparecendo do palco do mundo e lentamente se esboroando até a sua final extinção. E então "haverá um novo céu e uma nova terra". Esta mensagem parece um sonho, porém é mais que um sonho; é a visão de uma onipotente lei cíclica, impulsionando ocultamente a evolução histórica e espiritual dos povos. É um mergulho nos mistérios do futuro, já tornando-se presente.
