O livro Babooska inspirado na letra de uma canção dos anos 80, intitulado por Babooshka, composta e interpretada pela cantora Kate Bush.
Na música uma mulher velha suspeita que seu marido não a ama mais. Então ela resolve armar para cima dele. Como se fosse uma outra mulher, começa a mandar cartas amorosas, que assina com um nome exótico, Babooshka. O marido reconhece algo familiar nas cartas, eram como as cartas que a mulher mandava quando eles eram mais novos, quando a mulher era bonita e cheia de vida.
A mulher então resolve marcar um encontro. Ela se disfarça para a ocasião. Ele a vê e se apaixona. Essa mulher é como a mulher dele na época em que eles eram jovens.
Quando ela escreveu a música, não sabia que “Babooshka” é a palavra russa para “avó”. É muito usada como de uma forma carinhosa para se referir às muheres mais velhas. Até eu sabia isso (e achava que fazia muito sentido na história da letra – o fato de a mulher ser mais velha a tornava uma Babooshka, e era assim que ela assinava as cartas para o marido. Mas não, não tem nada a ver, só foi usada pela sonoridade exótica).
Na entrevista a jornalista pede para que a Kate Bush explique a letra, e pergunta à cantora se o marido realmente traiu a mulher. Resposta: claro que não! Ele a ama muito. A história, diz a Kate Bush, é sobre como a gente cria fatos abstratos e irreais que ganham materialidade.
Para que você entenda melhor, é como se um teste de fidelidade do João Kléber fosse levado a cabo pela própria mulher desconfiada. Segundo a Kate Bush, essa é um conto popular recorrente no interior da Inglaterra que ela transformou em uma letra. Em Dom Quixote tem um causo parecido, o do Curioso Impertinente.