Mott, ao narrar o contato do jovem paulista Marco com a condição dos moradores do Araguaia, região predominantemente selvagem no Sul do Pará, faz uma reflexão sobre a situação dos povos indígenas do Brasil. Esta é muito mais do que uma história sobre a vida urbana versus a vida selvagem, trata-se de um alerta sobre a pobreza do caboclo na região norte, acompanhado da fragilidade da condição indígena frente ao contato exploratório do homem dito civilizado, que retira tudo que pode dos meios naturais a favor de um adicional econômico que poucos irão se beneficiar.
A autora, no prefácio do livro, informa que para narrar essa história inspirou-se numa visita real à Conceição do Araguaia, momento no qual teve contato com as tribos dos Gorotires e Kubenkankrein. A realidade é "tal como escrevi".
Marco, personagem de 12 anos, visita a região e logo percebe que há algo de errado, porém, também sente que ele tem possibilidade de intervir, de ajudar, de se doar para que a solução surja triunfante e bela como a conclusão encantadora que a autora nos proporciona.
"Não lhes conto isto para entristecê-los, para desanimá-los; o conhecimento da verdade é absolutamente necessário para nos alertar". Sabias palavras. Título premiado pela Fundação Educacional do Distrito Federal.