"A casa iluminada" foi finalista do Prêmio Benvirá de Literatura 2010, cujo vencedor foi "Nihonjin", de Oscar Nakasato, também vencedor do Jabuti 2012.
Agora, depois de publicado, "A casa iluminada" já teve os direitos de adaptação vendidos para o cinema.
Com uma narração pungente e elipses arrasadoras, Alessandro Thomé conta uma história sobre solidão e vingança.
Melquíades, após ter suas esposa morta e estuprada (nessa ordem), se desespera, e seus atos acabam dando-lhe visibilidade na mídia.
Ismael, o assassino, se entrega à polícia. Trata-se de um pescador que se mostra dono de uma personalidade intrigante, quase incompreensível. Melquíades decide ir conhecer o algoz de sua esposa na cadeia, para ter acesso a informações que pudessem ajudá-lo a arquitetar seu plano de vingança, e consegue isso.
E é neste ponto que a história começa a se tornar arrebatadora.
O viúvo toma para si a vida do assassino e se muda para uma pacata vila de pescadores, de onde começa a travar uma luta psicológica com o assassino, enviando-lhe fotografias de imagens que remetem à liberdade que foi tomada de Ismael. Junto, sempre envia um bilhete curto e direto. As respostas são igualmente irônicas e enigmáticas.
Tomado pela vida praiana, Melquíades se envolve com os habitantes locais, mas esse envolvimento parece ter um motivo,e, como destino, mantenho-o na solidão.
Há outros elementos que tornam a história ainda mais fantástica, como o fato de o mundo ir literalmente desmoronando ao redor de Melquíades enquanto ele espera pelo desfecho de seus intuitos.
A leitura vale tanto pela trama muito bem construída e narrada quanto pelas metáforas guardadas nas entrelinhas dos acontecimentos. Mas não é necessário pescar essas metáforas para entender os acontecimentos, que estão ali, escancarados, mostrando ao leitor o que cada um poderá ver em si mesmo se tiver coragem de ousar essa olhar interior.
E o final... Ah! O final! Magistralmente surpreendente.