As Revoluções do Capitalismo (A Política no Império) -

    Maurizio Lazzarato

    Civilização Brasileira
    2006
    274 páginas
    9h 8m
    ISBN-10: 8520007368
    Português Brasileiro

    Os dias de Seattle foram um verdadeiro acontecimento político que, como todo acontecimento, produziram em primeiro lugar uma transformação da subjetividade, ou seja, da maneira de sentir: não suportamos mais aquilo que suportávamos antes, a distribuição dos desejos mudou dentro da alma. A palavra de ordem Um outro mundo é possível? É emblemática desta transformação. Se compararmos com outros acontecimentos políticos do século, percebemos uma transformação radical. V'As revoluções do capitalismo' é o primeiro título da coleção A política no Império organizada por Giuseppe Cocco, que tem como proposta de apresentar ao público brasileiro essa bibliografia de grande interesse para apreender os desafios da política no império. Os livros concentram-se no conceito de Império, proposto por Antonio Negri e Michael Hardt, que definiu um novo horizonte de reflexão sobre a crise da modernidade. O léxico usado em Império mobiliza os esforços de inovação teórica e política de um conjunto de autores (filósofos, sociólogos, economistas), que, desde o início dos anos 1990, problematizaram as noções de trabalho, multidão, biopolítica, comum, linguagem, potência. Sociólogo e filósofo, Maurizio Lazzarato mostra aqui que o capitalismo poderia se transformar em um ritmo mais veloz do que seus adversários, deixando-os em atraso de uma época. Como dar conta dos conceitos de trabalho, de produção, de consumo, de comunicação, de informação e de cooperação, assumindo que o capitalismo não é um 'modo de produção' (Marx), mas uma produção de mundos? Como ultrapassar o duplo impasse do individual e do coletivo com o qual as teorias liberais e as teorias socialistas pensaram a 'produção da subjetividade'? Como traduzir o conceito de multiplicidade em política? E como poderíamos pensar o conflito, não mais a partir da contradição dialética, de um dualismo de classes ou de uma divisão amigo/inimigo, mas da lógica do incompossível (Leibniz), que rege um mundo onde os possíveis bifurcam e coexistem ao mesmo tempo (Borges)? Utilizando a caixa de ferramentas da sociologia da 'diferença e repetição' (Gabriel Tarde), da filosofia do acontecimento (Deleuze e Bakhtin) e uma teoria do poder como ação sobre outras ações possíveis (Foucault), o livro apresenta os novos conceitos de trabalho, produção, consumo e comunicação e sua relação com o capitalismo.

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    Marcos Caio27/11/2022Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    A Produção de Mundos

    As revoluções do capitalismo, é pensado por Lazzarato não mais na dinâmica clássica de modos de produção, mas como produção de mundos: discursos, contextos, imagens, lógica de serviços no econômico, proposições capturadas na opinião pública e entre os cérebros. Assim, o autor identifica no acontecimento a inventividade criadora de possíveis. A dinâmica virtual do acontecimental e da multiplicidade é onde a relação política se abre a atualização desses mundos possíveis, realiza desvios a lógica neoliberal, majoritária (por vezes autoritária), que no contexto do Império exerce poder dominante por meio das técnicas de controle.

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