São dois títulos que compõe este volume. É comum encontrarmos no mercado edições que venham com essas duas novelas, pois ambas estão intimamente relacionadas nos temas que alí serão trabalhados.
A primeira delas é Tônio Kroeger, obra autobiográfica, esta da juventude literária do autor. Relata a história do protagonista, Tônio Kroeger, que dá nome a narrativa, e seus dilemas com relação a sua posição de burguês e artista na sociedade. Embora não seja uma narrativa impressionante é um livro indispensável para os entusiastas da obra do Mann, aqui encontraremos (em uma forma ainda bruta) a maioria dos temas que seriam desenvolvidos magistralmente nas obras de maturidade do autor; o papel do artista na sociedade, o ideal de beleza, a decadência da burguesia, a doença como criatividade, conflitos sexuais, entre outros. Tônio Kroeger fica então como sua obra-base.
A outra novela, A Morte em Veneza, obra esta já da maturidade do autor, nos apresentará ao decadente Aschenbach, um escritor renomado, viajará a Veneza a procura de inspiração (também motivado a postegar de seu trivial trabalho). Lá encontra o jovem polonês Tadzio, por quem Aschenbach nutrirá uma paixão. (O homoerotico embora evidente a início, na obra tem papel secundário). Abismado e obcecado pela beleza do jovem, que encarna os mais puros ideais da estética clássica, Aschenbach refletirá sobre o verdadeiro significado de beleza e a real função do artista como contribuinte para a sociedade. Enquanto em seu íntimo enfrentará o combate entre o Apolíneo e o Dionisíaco. Combate este que pode vir a ser fatal.
Não há outra palavra para definir essa novela além de bela. A beleza do jovem Tadzio parece que é contagiante. As descrições do autor, assim como as constantes reflexões de Aschenbach são extremamente filosóficas e instigantes. Essa novela é uma ode a beleza em seu mais legítimo significado. Amantes do belo, este é um texto que vocês definitivamente tem de ler. Thomas Mann, um incrível escritor, não deixa nunca de me surpreender.