Minha amiga Marta Martinha me disse que, em determinadas fases das nossas vidas, temos que optar por leituras mais leves.
Não é que, ao acaso, estando, eu , de mala pronta para "Pasárgada", com os livros que eu pretendia ler na viagem fazendo parte integrante da minha bagagem fui tomada pela insônia, e para afugentá-la, comecei a folhear, sem compromisso , "Meu País Inventado" de I. Allende, e o resultado foi que ele foi parar na minha mala, pois me deparei com uma leitura leve e agradabilíssima , graças ao senso de humor de I. Allende. Logo nas primeiras páginas ela explica um dos motivos que desencadeou a avalanche das suas lembranças, e que a levou a escrever esse livro: quando ela se olhava no espelho examinado o mapa de suas rugas, seu neto lhe disse: "não preocupe , velha, você ainda vai viver pelo menos 3 anos". Dá para deixar de rir?
I. Allende nasceu, por forças das circunstâncias no Peru ( assim como nossa Clarice nasceu na Ucrânia), e, embora viva na Califórnia, I. Allende possui a cidadania chilena, e são suas lembranças do Chile que ela retrata nesse livro - sem ufanismo - mostrando a realidade desse país de modo nu e cru. E é sem ufanismo que ela descreve paisagens ora, inóspita, ora com referência estética que me deixou desejosa de conhecer esse Éden.
Em Meu País Inventado, I. Allende também fala da sua vida de "errante" e do difícil processo de adaptação na sua condição de exilada e de imigrante, mas o que é gritante no livro é o amor que ela dedica ao Chile, um fato que me levou a concordar com a fala do avô Mariano – personagem do livro Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa chamada Terra de Mia Couto: " O IMPORTANTE NÃO É A CASA ONDE MORAMOS. MAS ONDE, EM NÓS, A CASA MORA".
Mais um livro de I. Allende que me arrebata, e, ainda que ele não seja uma obra-prima, é um livro que muito me ensinou e me divertiu.