Menina e Moça -

    Bernadim Ribeiro

    Angelus Novus
    2008
    376 páginas
    12h 32m
    ISBN-13: 9789728827465
    Português Brasileiro
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    Maria Carolina picture
    Maria Carolina23/12/2025Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Já dizia Rosalía... por lo que ella reeeeeeza, porque en el pecho tiene una maaaaaarca, y el cielo se enciende con el doloooooor que guaaaaarda

    Entrar no universo de Menina e Moça é como atravessar um portal para um tempo onde a melancolia era a forma mais alta de sensibilidade e o sofrimento amoroso ganhava contornos de uma beleza quase espiritual. Bernardim Ribeiro nos entrega uma obra que é o marco inicial da nossa saudade e ler essas páginas é mergulhar em um tipo de narrativa que parece flutuar entre o sonho e a dor. A escrita dele é delicada e musical, fugindo de qualquer pressa, o que nos obriga a desacelerar e sentir o peso de cada suspiro das personagens. O livro começa com aquela frase clássica que já prepara o nosso espírito para o que virá quando diz que menina e moça me levaram de casa de meu pai para longe. Essa partida não é apenas física, mas simboliza o fim da inocência e o início de uma jornada de desterro emocional. O que mais me encanta nesta obra é como Bernardim constrói o cenário pastoril não como um enfeite, mas como um reflexo fiel da alma das personagens. O campo, as fontes e as sombras das árvores estão ali para acolher confidências que parecem ser grandes demais para o mundo comum. É fascinante notar como o autor utiliza as histórias intercaladas de outros amantes para criar um labirinto de sofrimentos que se cruzam. A dor de uma personagem alimenta a da outra e o leitor se vê envolvido em uma teia de afetos não correspondidos e destinos truncados. Ao contrário de outras obras da época que buscavam finais resolutivos ou lições de moral rígidas, Menina e Moça prefere a bruma da incerteza e a celebração da própria tristeza como uma prova de nobreza de caráter. É uma leitura que exige entrega e que nos faz refletir sobre como o conceito de saudade está profundamente enraizado na nossa língua e na nossa forma de amar. A importância de ler Bernardim Ribeiro hoje é resgatar essa capacidade de sentir com profundidade em um mundo que se tornou tão imediato e superficial. A classificação indicativa ideal seria para quem já tem seus 16 anos, não por qualquer conteúdo explícito, mas pela complexidade da linguagem arcaica e pela carga de melancolia que exige uma certa maturidade para ser apreciada sem parecer excessiva. É um livro grandioso em sua simplicidade e eterno em seu sentimento.

    2 curtidas

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    Avaliações

    3.3 / 24
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