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    Em Favor da Dúvida - Como ter convicções sem se tornar um fanático

    Peter L. Berger

    Elsevier - Campus
    2012
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9788535255508
    Português Brasileiro
    3.7
    30 avaliações
    Leram52Lendo15Querem143Relendo0Abandonos2Resenhas11
    Favoritos3Desejados143Avaliaram30

    Como lidar com questões morais, como aborto ou homossexualidade, quando diferentes grupos sustentam posições vigorosamente opostas? E como a cultura mantém sua harmonia diante do fundamentalismo agressivo? A resposta, de acordo com os renomados sociólogos Peter Berger e Anton Zijderveld, é a dúvida. A dúvida virtuosa, que nos leva a seguir em frente de forma destemida com nossas convicções morais sem cair na tentação de acharmos que todos os que pensam diferente de nós são nossos inimigos. Este livro propõe uma agradável reflexão através da história da modernidade (passando pela religião, pela ascensão da psicologia e do marxismo. pelo desafio intelectual do relativismo, pelo fracasso do totalitarismo e pelo fundamentalismo como uma invenção moderna), mostrando que a verdade, inclusive a verdade religiosa, precisa da dúvida para existir e prosperar e que é possível encontrar um meio-termo entre incertezas e convicções.

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    Gabriel Limeira picture
    Gabriel Limeira13/07/2024Resenhou um livro
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    A dúvida é uma solução plausível para um mundo dividido entre fundamentalistas e relativistas, seja na esfera religiosa, seja na esfera política, ou mesmo na esfera moral. Além disso, trata-se naturalmente de uma ferramenta diretamente relacionada à nossa limitação epistemológica e à condição de finitude da nossa natureza. Toda convicção pressupõe uma dúvida na qual tenha sido pautada, mas nem toda dúvida demanda convicções absolutizadas que ignoram algumas das principais convicções que podemos ter: somos finitos e nosso conhecimento é limitado. Assim como a dúvida serve para frear os impulsos fanáticos das crenças e ideologias, ela também serve como um freio para os impulsos relativistas que se tornam tão autocentrados e fervorosos a ponto de minar o fenômeno da descrença que objeta as pretensões pós-modernistas. Apesar dessas características subversivas e abertas da dúvida, Zijderveld e Berger também destacam os limites cognitivos e morais que devem ser estabelecidos a partir de alguns elementos. "(...) A dúvida sem nenhum limite -- a dúvida que abandonou toda e qualquer certeza -- leva a um subjetivismo estéril no qual o indivíduo reflete interminavelmente sobre as opções e pondera todas as possibilidades. (...) A dúvida precisa de uma sólida racionalidade para se manter sob controle. Diferentemente da falsa certeza do verdadeiro crente, a dúvida implica risco. O ceticismo e o relativismo extremo não são os únicos perigos envolvidos. Quando sistematicamente aplicada, a dúvida pode resultar em desalento, perda de esperança e de ação. A dúvida, especialmente a dúvida sobre a dúvida, se transforma facilmente em desespero. Em alemão, dúvida e desespero têm a mesma raiz linguística -- zwei (dois). Os conceitos 'Zweifel' (dúvida) e 'Verzweiflung' (desespero) indicam uma escolha entre duas possibilidades mutuamente excludentes." (p. 135). O livro é muito bem escrito, com reflexões proveitosíssimas que prendem o leitor do início ao fim, não somente pela forma bem elaborada, mas também pela clareza na exposição do conteúdo.

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    3.7 / 30
    • 5 estrelas20%
    • 4 estrelas60%
    • 3 estrelas7%
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    • 1 estrelas0%
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    Peter Ludwig Berger

    Sociólogo e teólogo luterano austro-americano, emigrou aos Estados Unidos aos 17 anos, onde permaneceu e realizou seus estudos. Junto com Thomas Luckman teoriza a cerca da realidade como construção social (The Social Construction of Reality. A Treatise in the Sociology of Knowledge, 1967). Sua maior dedicação científica, no entanto, aparece no campo da sociologia da religião, que lhe define como um teólogo laico, condição que impregna sua obra, na qual além disso aparecem relevantes textos no campo da teoria sociológica e a sociologia política, a globalização e o desenvolvimento, etc. É doutor honoris causa da Loyola University, do Wagner College, da University of Notre Dame e das europeias de Genebra e Munique. Foi premiado pelo governo austríaco com o Mannes Sperber Prize pela sua contribuição ao estudo da cultura.

    17 Livros
    4 Seguidores

    Peter Ludwig Berger