Personagens: uma penca, mas os principais são Jack e Tilly.
Veja só como são as coisas: lá estava eu em uma livraria da minha cidade, apenas dando uma inocente voltinha (achei que seria inteligente controlar minha compulsão por livros desde a última fatura do meu cartão) e, em minha singela excursão, o Dizem por aí pulou na minha frente.
Como eu só estava olhando mesmo, não vi problema algum em ler a sinopse, afinal, meu cérebro estava instruído pra fugir ao menor sinal de fraqueza.
Mas... Sabe como é... Ele não obedeceu ao meu comando.
Bem, o fato é que joguei a consciência pesada para a conveniente área do esquecimento e fui toda alegrinha pra casa, com o livro devidamente adquirido. Mas no meio de todo contentamento e entusiasmo literário, a coisa começou a desandar. TRÊS pessoas com gosto semelhante ao meu me asseguraram que Dizem por aí era de médio pra baixo.
Já reparou como é broxante quando alguém fala que o livro que você criou expectativa – e gastou uma grana – é ruim? E como sou mineira - logo, desconfiada - não deu outra: enrolei o quanto pude pra ler. Até que dias atrás, resolvi encarar.
Ruim? Pelo contrário, é ÓTIMO com grifo e letras garrafais!
E te falo que há muito tempo não pego um romance tão leve, de leitura fluente e relaxante.
Dizem por aí tem como base os apaixonantes Jack e Tilly.
Contudo, não se engane achando que a narrativa vai focar somente os dois. Eles são os personagens principais, mas os coadjuvantes são quase protagonistas e também têm seus próprios conflitos. A autora foi muito feliz quando desenvolveu a história de cada um deles, pois todos são muito cativantes.
Aliás, personagem cativante é o que tem nesse romance.
Mas vamos à trama.
Tilly, após o término de seu namoro, vai para o vilarejo de Cotswolds visitar sua amiga Erin. Movida por algumas circunstâncias, ela decide morar na cidade e começa a trabalhar como “faz-tudo” para Max, um homossexual assumido após dez anos de aparente heterossexualidade.
É claro que eu não poderia deixar de dizer que é Max o responsável pelas tiradas mais engraçadas e divertidas na história.
Seguindo a tradição das pequenas cidades, Cotswolds tem uma figura quase lendária, do tipo que está sempre na boca das pessoas. E o nome do protagonista das fofocas é Jack, um moreno tududibão. Sua fama, segundo as más línguas, faz de Dom Juan um calouro inexperiente e insosso.
Tilly, que não é boba nem nada, logo percebe o cara. Porém, mal ela se interessa e lá vem zilhões com o conselho de não levar Jack a sério porque ele é perito em despedaçar corações.
A partir daí, vêm os conflitos, os dramas, os desajustes e ajustes dos dois. Levando em conta o título, é na relação de Jack e Tilly que mais uma vez comprovamos que fofoca não é boa divulgação, mas sim, algo nocivo e pernicioso.
Mas convenhamos... atire a primeira pedra quem nunca ouviu avidamente um diz-que-diz!
Além da história dos mocinhos, temos também as tramas paralelas que são igualmente apaixonantes.
Junto com Max e sua hilária participação, temos sua filha Lou, de 13 anos e sua simpática ex, a Kaye, que volta dos estêitis (eu falei que ela era atriz?) após um injusto escândalo envolvendo seu nome; e, por fim, temos também Erin e Fergus, que terão que lutar contra Stella, a ex-exposa dele, uma megera das mais mexeriqueiras e encrenqueiras da cidade.
Fora os personagens figurantes, que servem para esquentar a história, como Parker, Tom Lewis, Amy e até a cachorrinha Betty.
E misturando tudo isso, a fórmula de Dizem por aí não poderia ser outra: enredo simples e despretensioso + personagens realistas e fascinantes + idas e vindas leves e divertidas = você satisfeito no final.
Foi cafona, mas é verdade.
Mas vale lembrar que opinião não é uma coisa fechada, definitiva. Pode ser que você prefira um enredo mais intrincado ou uma história que evidencie apenas o relacionamento dos mocinhos.
Se você prefere algo assim, não desista de Dizem por aí. Faça como eu: persista e insista porque você pode ter uma bela surpresa!
Mega recomendando!
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