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    Ficção Completa -

    Bruno Schulz

    CosacNaify
    2012
    416 páginas
    13h 52m
    ISBN-13: 9788540501812
    Português Brasileiro
    4.8
    3 avaliações
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    Título da coleção Prosa do Mundo, reúne pela primeira vez no Brasil a ficção completa de Bruno Schulz (1892 - 1942). São dois romances do autor polonês - Lojas de canela e Sanatório sob o signo da Clepsidra - e quatro contos inéditos em português. O livro traz 11 ilustrações do próprio escritor, autor também de uma extensa obra artística. A tradução, feita diretamente do polonês, é de Henryk Siewierski, professor de teoria literária da Universidade de Brasília. O livro tem apresentação do poeta e ensaísta Czeslaw Milosz - Nobel de Literatura de 1980 -, posfácio do tradutor e sugestões de leitura. Completam o volume trechos dos diários de Witold Gombrowicz sobre o amigo Bruno Schulz.

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    E. A. R. picture
    E. A. R.29/08/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A escrita caleidoscópica de Bruno Schulz.

    A recriação do onírico em termos literários e o uso de metáforas expressivas e de descrições tão bem elaboradas que chegam a ser verdadeiras pinturas subjetivas de um mundo há muito desaparecido. É o que mais me impressionou na leitura dos contos de “Bruno Schulz – Ficção Completa” (406 páginas), na edição primorosa (como sempre) da Cosac Naify e que traz ilustrações do próprio autor. O volume faz parte da coleção (que dispensa elogios) Prosa do Mundo. O polonês Schulz (1892-1942), desenhista e um entusiasta da arte, muitas vezes é comparado a Franz Kafka. Sua escrita, que mergulha em memórias da infância, repleta de metáforas surpreendentes, com um enfoque muitas vezes onírico, calcada mais num impressionismo notável, não “facilita” as coisas para o leitor, sem, contudo, chegar a ser hermética: exige deste uma total abertura a todo um mundo subjetivo pleno de significados ocultos, símiles de tirar o fôlego (tendo em vista as surpresas que o autor apresenta a cada frase) e todo um mundo de poesia concentrada com efeitos mesmerizantes. Mais do que prosa poética: trata-se de linguagem literária levada ao paroxismo da expressividade, da riqueza de significados e conotações. Quanto à comparação com Kafka (sim, há alguns pontos de semelhança biográfica) no aspecto literário propriamente dito, onde o autor de A Metamorfose busca apreender o mal-estar existencial e as aporias daí advindas, o polonês, que foi assassinado de forma pueril por um nazista, está mesmo mais interessado é na busca de uma descrição caleidoscópica (multifacetada em termos literários) da realidade: uma escrita, em outros palavras, mais voltada às impressões únicas que o mundo ao seu redor nele suscita. Leitura que tem o efeito de nos paralisar e nos fazer refletir, a cada momento, a cada período mais longo, na riquíssima linguagem plena de ressonâncias internas. E lançando mão de pinceladas em forma de palavras. "Então, a época genial resistiu ou não? É difícil responder. Sim e não. Porque há coisas que não podem acontecer totalmente, até o fim. São grandes, são magníficas demais para caber num acontecimento. Apenas tentam acontecer, só verificam se o solo da realidade as suporta. E logo recuam, com medo de perder a integridade na deficiência da realização". (Trecho do conto O Livro)

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    Bruno Schulz

    Bruno Schulz foi escritor, desenhista, pintor e crítico literário polonês, considerado um dos expoentes máximos da literatura polonesa do século XX. O autor alimentou a sua extraordinária imaginação com uma variedade de identidades e nacionalidades: um judeu polonês, em meio a uma Polônia multiétnica e cultural, invadida pelos nazistas e soviéticos. Traduziu diversos autores, incluindo Franz Kafka. Por isso, muitas vezes é chamado de Kafka polonês. Não tinha nada de cosmopolita em Schulz: o seu gênio alimentava-se no local e no étnico. Poucas vezes deixou a sua cidade natal, e a sua vida adulta foi a de um eremita. Sua maior obra, <i>Messias</i>, perdeu-se na Segunda Guerra Mundial. Schulz foi baleado e morto por um nazista alemão em 1942 enquanto caminhava de volta para casa em direção ao Gueto de Drohobycz com um pedaço de pão.

    13 Livros
    7 Seguidores
    Galícia, Áustria-Hungria

    Bruno Schulz