Escrevo logo após ler o livro. Sem respiro. Sem descanso. Poesia é imagem. Ele próprio falou em entrevistas. A palavra é imagem. Pintura e poesia nascem juntas de uma mesma esfera. Quanto à poesia, não sou uma das mais conhecedoras - há uma certa dificuldade -, mas quando lida em voz alta, ela dança, ela é tátil, é cor e volume. Algumas, não me pegaram tanto, mas outras... " Tudo será um / dia corpo feliz / único e duplo / em sangue celeste / oc ano purpurina / aos rochedos de / carne perfumada a / nadar!" " Sou fatal agachado em felino gato. / No pele do tambor contesto o que falo. / Sou homem-semente / do sonho do rei." " Não há mais tempo. / Quebram-se no vento as estátuas / de areia. E palácios ilusórios / desbotam no ar. / Procura pelas alamedas tua sombra. / ... / O caminho é cego entre os rochedos / mas procura procura / tua sombra na caligrafia" E poderia colocar mais e, quem sabe, descobrir como essas imagens-palavras surgem. Talvez, me depararia com um lugar não comum, que flerta com o surrealismo não automático, mas criativo dentro da tentativa de contar sonhos.

