"Amor" é um conceito que hoje está tão vago, que qualquer maior sensação de desconforto ante a presença de alguém já recebe seu nome.
Requer coragem, ousadia e muita ambição para fazer um livro como este - menos amadurecimento. As referências ao mundo pop são tantas e postas tão exageradamente que me deixou enfastiada no quesito originalidade. A autora não poupou o leitor de uma descrição barata e vergonhosa de certos ídolos pop para recuperar informações que de outra forma, na certa o leitor já teria. Me senti subestimada.
Percebi 3 momentos em que a história poderia ter tomado um rumo melhor, através de 3 personagens realmente excelentes que tinham muito a contribuir mas que ficaram de lado em prol de um círculo infantil que tinha a prioridade na narrativa. O padre, a moça "gótica" e a fada lésbica, tinham um potencial gigante a ser explorado o que enriqueceria enormemente a narrativa, conferindo uma bruta guinada à história e a tiraria do campo do previsível, do comum, do final feliz (mas sei lá, tem gente que gosta do previsível né...).
Apesar disso, em alguns momentos, o livro revela uma trama que pretendia (ao menos no início) ser muito bonita e interessante, mas que peca por ser muito mal escrita. Há pontos maravilhosos mas eles ficaram ilhados, conectados entre si por um mar bravio de períodos pobremente construídos - o que me levou a pensar que talvez a autora deva ter seguido uma dica valiosíssima que é escrever a narrativa aos pedaços, à medida que a inspiração vem e só então montar o livro.
Há erros de revisão e o meu exemplar possuía defeitos na qualidade do material, como página embaçada e até amarrotada. Não seriam levados em conta se a narrativa não tivesse uma simplicidade que beira o cúmulo do simplório.
Tudo bem, acreditei que fosse ser um livro bom para leitores iniciantes que topassem alguma história diferente, nova e nunca antes escrita. Cogitei aconselhar o livro na resenha para pré-adolescentes, mas a carga sexual está acima do que eu indicaria se eu tivesse uma filha de 10 a 12 anos. Talvez uma leitora de 15 a 16 com apenas Meg Cabot e Meyer no currículo de leitura vá gostar e achar o livro maravilhoso pois Carolina Munhóz cumpre bem o papel de escritora com um discurso egoísta, esnobe e esteriotipado, cheio de frases de efeito, músicas piegas como títulos de capítulos e protagonistas com atitudes infantis. Se o objetivo era agradar leitores a partir dos 15 anos e ainda em formação, na certa ela foi em cheio.
Senti incoerência e falta de coesão em algumas passagens, o que deixa claro pra mim uma certa agonia para lançar o livro devido a alguma data. Pergunto-me se ele teve oportunidade de ser revisado e caso tenha sido, resta responder à questão de quantas revisões tenham sido feitas pois temo não terem sido suficientes.
Por fim, o desfecho poderia ter sido muito, muito melhor. Achei o livro fraco como um todo mas a ideia realmente achei genial. O que faltou na minha opinião foi amadurecimento do livro por parte da escritora, foi esquecer ele na gaveta por um tempo e então, bem depois que a agonia de escrever já passara, a escritora ter o tino de voltar a ele e ler. Na minha opinião foi só isso o que faltou. E claro, esquecer da ganância cega em virar uma celebridade escritora, pois isto é cacoete do mundo moderno carente de espelhos e ávido por produtos para venda.